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Roupa suja

por Felipe Marra Mendonça publicado 16/02/2011 16h33, última modificação 16/02/2011 16h33
Atropelada por Apple e Google, finlandesa Nokia tenta entender o que deu errado

Atropelada por Apple e Google, finlandesa Nokia tenta entender o que deu errado
O americano Stephen Elop, que assumiu a Nokia em setembro de 2010, enviou durante a semana um duro memorando interno aos seus empregados em que, essencialmente, comparava a empresa finlandesa de celulares a uma plataforma de petróleo em chamas. Segundo ele, a companhia encarava duas escolhas possíveis: se jogar no mar gelado ou ser consumida pelas chamas. “Perdemos nossa fatia de mercado, perdemos a atenção do consumidor e perdemos tempo”, escreveu o executivo.
As chamas a que Elop fazia alusão seriam as duas competidoras no mercado de celulares que, lentamente, consumiram sua liderança e agora a ultrapassaram no gosto dos consumidores. Ou seja, a Apple com o iPhone e o Google com o sistema operacional Android espalhado por centenas de smartphones. A desilusão implícita no texto de Elop é compreensível. A Nokia tornou-se líder de vendas durante um bom tempo no advento da telefonia celular, principalmente em países em desenvolvimento. A liderança levou a uma displicência pela qual a empresa paga caro agora. “A primeira versão do iPhone foi lançada em 2007 e nós ainda não temos um produto que chegue perto da experiência que ele oferece. O Android chegou há dois anos e esta semana eles nos ultrapassaram em termos de volume de smartphones. É impressionante.”
Mais adiante, o executivo diz que a empresa ainda oferece importantes inovações em termos de pesquisa e desenvolvimento, mas que o fruto desse trabalho demora a chegar ao mercado. O sistema MeeGo, aposta da empresa para enfrentar a concorrência, foi atingido pela mesma letargia. “Nesse ritmo, só teremos um produto MeeGo no mercado até o fim de 2011.” Na faixa mais barata de aparelhos, a Nokia enfrenta as competentes empresas chinesas, que lançam modelos em menos tempo do que os empregados da Nokia levam “para criar uma apresentação de PowerPoint”.
A empresa não pode nem mais se escorar nos mercados em que a sua marca ainda sustentava uma liderança. “A preferência do consumidor pela Nokia caiu no mundo inteiro. No Reino Unido, a simpatia pela nossa marca caiu 20%, e já está 8% menor do que no ano passado. Isso quer dizer que só uma entre cada cinco pessoas no Reino Unido prefere a Nokia a outras marcas. O mesmo aconteceu em outros mercados em que tradicionalmente somos líderes, como a Rússia, a Alemanha, a Indonésia e os Emirados”, continua Elop em seu memorando.
Existe saída para a Nokia? Alguns analistas especulavam que o anúncio a ser feito pela empresa na sexta-feira 11 (após o fechamento desta edição), seria a de que a empresa passaria a usar o sistema Windows Phone 7, da Microsoft, em seus aparelhos. Isso faz algum sentido, tendo em vista que Elop é ex-executivo da gigante de Redmond. A conversão para um sistema mais bem pensado do que o MeeGo e com mais futuro do que o Symbian (tradicional sistema dos telefones da marca) pode ser benéfica e até restaurar alguma relevância aos aparelhos da empresa. Mas as chamas continuarão acesas.