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Revoluções digitais

por Felipe Marra Mendonça publicado 12/03/2011 11h05, última modificação 12/03/2011 11h05
O desespero dos ditadores em censurar a web mostra a força dos protestos convocados pelas redes sociais. Por Felipe Marra Mendonça

O desespero dos ditadores em censurar a web mostra a força dos protestos convocados pelas redes sociais

Os primeiros giros das revoluções digitais foram dados pelos jovens tunisianos que narravam os acontecimentos do país pelo Facebook. Mesmo depois da tentativa de censura feita pelo governo de Ben Ali, os manifestantes conseguiam burlar os censores e continuavam a difundir informações pela internet. O mesmo processo foi visto depois no Egito, durante os protestos que levaram à queda do regime Mubarak, que durava 30 anos. Wael Ghonim, gerente de Marketing do Google para a África e Oriente Médio, tornou-se um dos símbolos do movimento quando passou a relatar o que se passava no Cairo pelo Twitter. A importância da internet no processo de legitimação dos movimentos antigovernamentais ficou ainda mais explícita na guerra civil que acomete a Líbia. O Conselho Nacional de Transição, que é o principal grupo de oposição ao regime do coronel Kaddafi, tem uma conta no Twitter (http://twitter.com/libyantnc) e uma página na internet onde publica seus comunicados (http://ntclibya.org/english/).



A dinâmica parece bem estabelecida. A organização dos protestos é feita em parte pela internet, cuja mesma estrutura é depois usada pelos manifestantes para difundir os acontecimentos do país para o mundo. Isso acontece, em geral, depois que o regime em queda tenta, de modo desesperado, censurar as manifestações ao cortar os serviços de telecomunicações. Um governo em outro canto do Mediterrâneo tenta subverter essa ordem e usar a internet para perguntar aos cidadãos quem eles preferem para ocupar os postos no gabinete de ministros. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, fez essa pergunta na sua página do Facebook (http://www.facebook.com/Salam.Fayyad) aos jovens da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, e aceitou sugestões sobre os nomes do novo governo que deve ser formado até o fim de março. “Reconhecemos o papel dos jovens e sua participação nessa decisão. Eles têm um importante papel na nossa marcha em direção à liberdade”, escreveu o primeiro-ministro na mesma página, como se preferisse protestos virtuais aos de ruas.


A pergunta veio depois que Fayyad, pressionado por protestos na Faixa de Gaza, decidiu dissolver seu ministério e tentar negociar a criação de um governo de união nacional. Seu partido, o Fatah, controla a Cisjordânia, enquanto o Hamas comanda a Faixa de Gaza. A pergunta de Fayyad suscitou milhares de respostas. Uma delas, escrita por Zuhair El Henday, sustentava que o primeiro-ministro deveria receber os agradecimentos do povo palestino pela performance do governo e que todos deveriam se unir para começar uma nova fase, em que os dois territórios se uniriam sob uma só administração. Outro, Haitham Wafi, escreveu: “O que queremos são novos rostos, educados e qualificados, que tenham uma reputação sólida e que não sejam simplesmente mandarins que gostam de aparecer na televisão”. Outros criticaram a natureza do governo palestino. “Novas eleições seriam benéficas, caro Fayyad, mas parece que os que decidem nossos destinos não gostam dos resultados delas”, comentou Hamza Abusallah. “Dizer que somos uma democracia é ilusão.”

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