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O concorrente do Google

por Felipe Marra Mendonça publicado 16/04/2013 10h39, última modificação 06/06/2015 18h24
O Shodan localiza páginas que o site de buscas mais famoso do gênero não “enxerga”
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Segurança. Matherly, do Shodan, filtra os pedidos dos usuários cadastrados. Foto: Matt McClain/ The Washington Post/ Getty Images

O Google é uma ferramenta de buscas que abarca grande parcela da internet, mas não tudo. “Quando as pessoas não veem algo no Google, acham que ninguém pode achar aquilo. Isso não é verdade”, diz John Matherly à rede de notícias CNN. Matherly é o criador da ferramenta de buscas Shodan, capaz de encontrar servidores, impressoras, roteadores, câmeras e qualquer equipamento conectado à internet.

O problema é existir muita coisa listada pelo Shodan que não deveria ser acessível por qualquer usuário nem passível de ser controlada, caso de semáforos, webcams, sistemas de aquecimento ou automação, operação de postos de gasolina, parques aquáticos e até crematórios.

Dan Tentler, expert em segurança e decodificação de sistemas, disse em palestra em 2012 (disponível no YouTube, basta procurar por Defcon 20 Dan Tentler) que a maioria dos esquemas de segurança “é horrivelmente, horrivelmente ruim”. “Eu posso controlar uma usina hidrelétrica francesa pela internet. Ela possui duas turbinas com produção de cerca de 3 megawatts cada, o que pode ser interessante. Ou simplesmente entrar no sistema que controla um lava-rápidos”, afirma.

Ou seja, grande parte do encontrado pelo Shodan poderia ser usada para causar estragos e danos, mas não é o intuito de Matherly, criador da ferramenta. Quem entra no site recebe dez resultados sem a necessidade de abrir uma conta no sistema. Ou 50 resultados com uma conta. Para conseguir mais informações, é preciso abrir uma conta paga, e informar Matherly do propósito das buscas a ser feitas no Shodan.

Não se sabe se alguém já tentou utilizar os resultados para causar problemas, mas não é difícil imaginar encrencas potenciais: mexer com sistemas de controle de semáforos certamente levaria pessoas à morte. Ou seja, existem muitos sistemas conectados à internet, de forma completamente insegura, sem qualquer motivo para estar na rede.

Outro uso interessante dos sistemas de buscas é fazer uma relação das predileções de cada país na hora de fazer downloads ilegais na internet. O site TorrentFreak, por exemplo, decidiu vasculhar o que computadores do Vaticano baixaram nos últimos meses. Em primeiro lugar, o número de downloads foi bem baixo, até por causa do tamanho da população de 836 moradores permanentes.

Seriados como Chicago FireLightfields, The Neighbours e Touch são bem “populares”, assim como os filmes Snitch e The Last Stand. Alguém parece gostar da música do artista inglês Ed Sheeran, além de passar algum tempo jogando uma cópia pirata de um simulador de aeroportos. Outra coisa que interessa os moradores do Vaticano são os filmes pornográficos, com predileção especial por luta livre entre mulheres nuas com direito a acessórios variados e também sexo com travestis. O TorrentFreak não conseguiu falar com ninguém do Vaticano para comentar as descobertas, mas percebe-se que o pessoal precisou de algum entretenimento para passar o tempo durante o último Conclave, algo compreensível.