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Jogos infantis são campeões em invasão de privacidade

por Observatório da Privacidade e Vigilância* publicado 18/12/2014 14h09
Aplicativos para crianças e jogos como 'Fruit Ninja' e 'Meu Malvado Favorito' coletam dados desnecessários de usuários especialmente vulneráveis
Divulgação
Talking Tom, Meu Malvado Favorito e Fruit Ninja

Talking Tom, Meu Malvado Favorito e Fruit Ninja: coleta de dados desnecessários do usuário

Jogos destinados a crianças tiveram a pior avaliação de proteção à privacidade entre os aplicativos mais baixados na plataforma Android. A conclusão é de um estudo da Universidade Carnegie Mellon que analisou mais de 1 milhão de programas comparando os dados coletados pelos aplicativos e os dados que os usuários consideram razoável ceder. Entre os mais populares com pior avaliação encontram-se os jogos da série Talking Tom, Meu Malvado Favorito e Fruit Ninja.

Para a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Veridiana Alimonti, o fato de aplicativos voltados para o público infantil estarem entre os que menos respeitam a privacidade é duplamente problemático: pela coleta de dados desnecessária para a entrega do serviço e pela vulnerabilidade da criança. "Como podemos pensar em consentimento expresso e informado quando quem está do outro lado da tela é uma criança?", questiona, lembrando que, pelo Marco Civil da Internet, qualquer tipo de coleta de dados só pode ser feita mediante autorização do usuário.

O estudo PrivacyGrade avalia os aplicativos e atribui notas que vão de A+ a D. Para isso, os pesquisadores montaram um modelo de pontuação que leva em conta quais informações o usuário espera que o aplicativo recolha. Assim, quem utiliza um aplicativo de mapas espera que o programa utilize seus dados de localização para funcionar, mas não que acesse seus dados de e-mail.

O modelo foi criado com base na ideia de que a violação do direito à privacidade deve ser medida pela expectativa de proteção em cada contexto. O estudo considera, portanto, a diferença entre como o usuário espera que o aplicativo se comporte no tocante a recolhimento de dados e quais dados ele de fato coleta.

"Se a ideia que a pessoa tem estiver alinhada com o que de fato o aplicativo faz, haverá menos problemas relacionados à privacidade, uma vez que a pessoa estará completamente ciente sobre o comportamento do aplicativo", explicam os pesquisadores no estudo.

Fruit Ninja, um dos aplicativos com pior pontuação (D) é um jogo em que o usuário ganha pontos conforme consegue cortar frutas que compõem um mosaico. Embora seja um jogo quase todo offline, ele recolhe dados relativos às contas do usuário em outros serviços, como Google e Skype, o número do telefone, a identificação da operadora e a localização do aparelho, seja por GPS ou pela rede e envia as informações à empresa desenvolvedora. O recolhimento desses dados foi considerado abusivo por usuários no estudo.

Também receberam nota D os aplicativos My Talking Tom, desenvolvido pela Outfit7, e Meu Malvado Favorito, da Gameloft.

A desenvolvedora de jogos Halfbrick, que faz o Fruit Ninja, disse, em nota, que fará uma atualização do jogo para melhorar a transparência e a proteção à privacidade dos usuários. "A Halfbrick vai liberar atualizações para o Fruit Ninja e outros títulos na App Store e no Google Play  com o intuito de elevar o padrão de privacidade."

A Gameloft disse, também em nota, que leva a privacidade dos usuários muito a sério. “Nós revisamos nossa política de privacidade sempre que necessário, dependendo da evolução das regulações nos diferentes territórios”.

Questionada sobre a classificação que obteve no estudo, a Outfit7 não se manifestou.


*O Observatório da Privacidade e Vigilância é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP que monitora ações do Estado e empresas que tenham impacto sobre a privacidade dos cidadãos.

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