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Guerra declarada

por Felipe Marra Mendonça publicado 03/03/2011 17h04, última modificação 03/03/2011 17h04
De olho no mercado de videogames, a Apple anuncia o novo iPad na mesma hora do discurso do presidente mundial da Nintendo

De olho no mercado de videogames, a Apple anuncia o novo iPad na mesma hora do discurso do presidente mundial da Nintendo
Março é tradicionalmente o mês da Game Developers Conference (GDC), feira anual de desenvolvedores de jogos eletrônicos que reúne mais de 18 mil interessados e acontece em São Francisco, na Califórnia. Neste ano, a atração principal da feira sediada no Moscone Center é um discurso de Satoru Iwata, presidente da Nintendo, na quarta-feira 2. O executivo falaria sobre o futuro da companhia e talvez revelasse detalhes interessantes do Nintendo 3DS, portátil da companhia, com lançamento previsto, nos EUA, para o domingo 27.
O problema para Iwata e os outros milhares de pessoas interessadas na GDC é o que acontece exatamente do outro lado da rua, no prédio oposto ao Moscone Center, o Yerba Buena Center for the Arts. Lá a Apple tinha marcado para o mesmo dia e à mesma hora uma palestra de Steve Jobs, que decidiu apresentar o iPad 2 mesmo sob licença médica da empresa. A nova edição da prancheta da Apple possui processador mais rápido e memória interna expandida.
A estratégia da Apple  em marcar a apresentação e bater de frente com a Nintendo é mais do que um simples desafio aos jornalistas que não podem estar presentes nos dois lugares ao mesmo tempo. É uma declaração de guerra. A Apple acredita que o centro do mercado de videogames portáteis está de mudança para os aparelhos celulares e para as pranchetas digitais, mais especificamente para a plataforma iPhone/iPad. Isso foi sustentado por Peter Vesterbacka, fundador da Rovio, companhia criadora do Angry Birds, jogo de grande sucesso na plataforma iPhone/iPad com mais de 50 milhões de cópias baixadas. “Quando você olhar para o mercado de jogos, fica claro que o centro de gravidade claramente se mudou para os aplicativos móveis. É lá que acontece toda a ação e as tendências são definidas”, disse Vesterbacka. Depois, em declaração à Wired, o executivo disse que, provavelmente, não poderia ir a nenhuma das -duas palestras, mas que talvez fosse ver o que Steve Jobs tinha a dizer. O raciocínio de Vesterbacka é que já se sabe boa parte do que o Nintendo 3DS deve oferecer, enquanto o que a Apple apresentaria ainda era um mistério.
Na verdade o que acontece dos dois lados da rua é uma batalha entre duas apostas sobre o futuro dos jogos portáteis. De um lado estão os desenvolvedores de jogos para plataformas de companhias “tradicionais” no mercado como a Nintendo e a Sony com seu PSP e o futuro NGP. Eles acreditam que ainda existe um bom mercado para jogos que custam cerca de 30 dólares.
Do outro lado da rua está o pessoal- da Apple, que acredita firmemente que o que o mercado quer são jogos rápidos, bem desenvolvidos e de custo baixíssimo, entre 99 centavos e até 3 dólares de preço. Os mais de 50 milhões de cópias vendidos do Angry Birds mostra que é um mercado em franca expansão. O clichê é cansativo, mas é inegável que quem ganha com isso é o consumidor. Ou o jogador.