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Como os robôs estão entrando no dia a dia dos japoneses

por Deutsche Welle publicado 30/07/2015 04h27
Na recepção de um hotel, como enfermeiro em asilo de idosos ou na função de um empregado doméstico: androides podem preencher lacuna no mercado laboral
Kai Schreiber
Robôs

É provável que os robôs sejam cada vez mais usados no setor de cuidados de idosos

Por Julian Ryall, de Tóquio 

Em setembro, o aeroporto internacional Haneda, em Tóquio, ganhará 11 novos funcionários. Eles desempenharão tarefas pesadas, como transportar bagagens e limpar os imensos saguões dos terminais. Mas é improvável que façam qualquer tipo de reclamação.

A operadora do aeroporto assinou um acordo com a Cyberdyne Inc. para testar os novos robôs da companhia num ambiente real de trabalho. E o que pode parecer publicidade tem potencial para se revelar uma solução para um problema crescente no setor laboral japonês.

"Empresas vêm tendo bastante dificuldade de preencher empregos de baixa qualificação devido à redução da força laboral no Japão", explica Jeff Kingston, diretor de estudos asiáticos da Universidade de Temple (EUA). "Esses robôs podem ser programados para suprir essa carência, num país que enfrenta uma crise de envelhecimento para qual o governo não se preparou adequadamente."

Em asilos e hospitais

Os robôs começam a aparecer em aeroportos, restaurantes, bancos, hotéis e canteiros de obras, mas é provável que eles sejam cada vez mais usados no setor de cuidados de idosos, onde há grande falta de mão de obra.

Segundo o Censo de 2014, 25% da população – o equivalente a 32,6 milhões de japoneses – têm mais de 65 anos. Os aposentados já são mais que o dobro que os 16,3 milhões de cidadãos abaixo de 15 anos – o que jamais havia acontecido no país.

Devido à queda na natalidade, os idosos deverão ser 30% dos japoneses até 2025. Como comparação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que, até 2050, a população global com mais de 60 anos fique em torno de 22%. As empresas japonesas do setor de tecnologia estão atentas ao problema.

O robô-enfermeiro Riba (sigla de Robot for Interactive Body Assistance), por exemplo, se assemelha a um urso de pelúcia e foi desenvolvido para ajudar a transportar pacientes. Ele pode erguer mais de 60 quilos em seus braços, reconhece rostos e responde a até 30 comandos de voz.

Outro robô que, num futuro não tão distante, poderá ser encontrado em hospitais e asilos de idosos é o Hospi-Rimo (abreviação de Remote Intelligence and Mobility), criado para atuar como um intermediário na comunicação entre médicos e pacientes com problemas de locomoção. Com um rosto sorridente no monitor, o androide se movimenta de forma autônoma.

A mais recente inovação do setor é o Human Support Robot (HSR), desenvolvido pela Toyota. Com um corpo cilíndrico, braços dobráveis e ampla mobilidade, ele pode apanhar objetos do chão e de prateleiras.

"A inteligência artificial ainda não é um substituto para humanos quando se trata de cuidar das pessoas queridas", disse a Toyota em comunicado. "O HSR pode, por isso, ser operado remotamente por parentes e amigos, com a voz e o rosto do operador sendo transmitida em tempo real."

Segurança e trabalho doméstico

Ao que tudo indica, a presença de robôs não vai se restringir ao setor de cuidados médicos no Japão. A companhia Tmsuk, em parceria com a Alacom, está criando um robô-segurança, capaz de detectar intrusos por sensor de calor.

O androide se locomove a 10 km/h, é guiado por um controlador que pode ver as imagens em tempo real – inclusive por telefone celular – e é capaz de neutralizar um estranho, com uma espécie de rede, até que as forças de segurança cheguem ao local.

Já no Hotel Hen-na (na tradução literal "hotel estranho"), robôs uniformizados já trabalham na recepção e levam as bagagens dos hóspedes para o quarto. O estabelecimento foi aberto em julho no parque temático Huis Ten Bosch, nos arredores de Nagasaki, e foi propagandeado como o primeiro hotel do mundo com funcionários androides.

"É difícil estabelecer um ponto de partida para o início da era dos robôs, já que vem havendo certa 'fluência tecnológica', mas eles estão certamente se espalhando em nosso dia a dia", diz Tim Hornyak, autor do livro Loving the machine (amando a máquina, em tradução livre), sobre a relação dos japoneses com robôs.

Segundo Hornyak, o Japão é há muito tempo reconhecido como líder no setor de robótica, mas viu essa liderança ser abalada quando a americana iRobot lançou o Roomba, o primeiro robô aspirador de pó.

O especialista se mostra empolgado com a chegada do Pepper, um robô humanoide desenvolvido pela SoftBank. "Ele é notavelmente sofisticado e vem sendo vendido a um preço bastante razoável, cerca de 1.550 dólares, mais as taxas mensais", diz Hornyak.

Ele aposta que a habilidade de colocar pratos numa lava-louças, separar roupas sujas ou arrumar a casa pode fazer do Pepper o primeiro robô genuinamente dedicado a serviços domésticos.

"A SoftBank está disposta a perder dinheiro com o Pepper nos primeiros quatro anos, mas, até lá, haverá uma abundância de aplicativos que tornarão a invenção muito mais atraente", conclui.

Deutsche Welle

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