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Google x Facebook

Batalha das redes sociais

por Felipe Marra Mendonça publicado 17/07/2010 12h44, última modificação 30/07/2010 12h45
Boato de que o Google lançaria uma nova rede social para fazer concorrência direta com o Facebook pode não ser tão “fantasioso”

Boato de que o Google lançaria uma nova rede social para fazer concorrência direta com o Facebook pode não ser tão “fantasioso”

Os rumores começaram com uma simples mensagem postada por Kevin Rose, fundador do Digg, em sua conta no Twitter. Ele sustentava que o Google vai lançar uma rede social chamada “Google Me”, e que quem tinha passado a informação era uma “fonte de muita credibilidade”. Ou seja, o Google quer bater de frente com o Facebook no que deve se tornar uma batalha muito interessante na mais nova entre as várias ações da empresa para combater seus competidores.

O boato não é tão fantasioso, não somente porque Rose tem bastante credibilidade no mundo tecnológico. O Google vive em permanente paranoia de se tornar obsoleto ou de ficar para trás na preferência da maioria dos usuários. É até uma paranoia saudável, faz com que a companhia continue atenta à competição e entre em mercados que acabam por se beneficiar do ambiente mais acirrado. Um exemplo foi a entrada do Google no mercado dos smartphones com seu sistema operacional Android. A canadense RIM, dos aparelhos Blackberry, teve de melhorar seu produto e a Apple fez seguidas atualizações ao iPhone para se manter à frente das concorrentes. Outro exemplo de sucesso foi o navegador Chrome, que chegou ao mercado, em setembro de 2008, para competir com o Firefox, com o Internet Explorer da Microsoft e com o Safari da Apple e hoje encontra-se em terceiro lugar na preferência dos usuários. Sair do zero para cerca de 9% do mercado em pouco mais de um ano não é fácil.

Isso não quer dizer que o Google sempre acerte no alvo. O Buzz, que a empresa lançou como competidor ao Twitter, é exemplo disso. A ideia parecia boa, a base de usuários instalados do Google com suas contas gratuitas de e-mail era enorme e, certamente, fazia frente ao batalhão de viciados no Twitter, mas na prática deu errado. O sistema passou a criar perfis automaticamente para usuários do serviço de e-mail que nem sequer sabiam da existência do Buzz e alguns dados pessoais foram divulgados sem o consentimento expresso dos mesmos.

O Google Me pode cair do lado dos projetos que deram certo até porque o Facebook atinge o Google em uma área especialmente dolorosa: a de receitas de anúncios. Mark Zuckerberg, criador do Facebook, disse recentemente que espera que o site atinja receitas de 1 bilhão de dólares, ainda este ano, e que pode ultrapassar o primeiro bilhão de usuários se conseguir conquistar os mercados russo, chinês, coreano e japonês. Quanto mais usuários forem conquistados pelo Facebook, menos os anunciantes comprarão espaços nas páginas do Google.

Mais do que simplesmente abrir uma nova ação na sua batalha contra a competição, o Google percebeu que precisa mudar um pouco a experiência dos usuários em seus vários sites. Quem entra no Google pela página de buscas ou em outras áreas talvez não perceba de imediato, mas toda a experiência é de mão única, solitária, não existe como compartilhar o que é feito ali. O Google Me talvez seja um modo de abrir o serviço e fazer das páginas algo mais social. Pode não dar certo de imediato. O Orkut, tentativa anterior do Google em estabelecer uma rede social, só deu certo no Brasil e na Índia, é praticamente desconhecido no resto do mundo. Mas subestimar o Google, como bem sabem os competidores, pode ser um esporte muito radical.