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Tecnologia

Guerra cibernética

A Coreia do Sul sob ataque

por Felipe Marra Mendonça publicado 23/03/2013 07h51, última modificação 06/06/2015 18h27
Hackers norte-coreanos são suspeitos de tirar do ar bancos e redes de tevê

Quem ainda não acreditava no poderio dos ataques cibernéticos teve na Coreia do Sul um belo exemplo do que pode acontecer quando uma potência inimiga ou um simples grupo de hackers atinge os sistemas internos de outro país. Os softwares de três redes de televisão e dois dos maiores bancos foram paralisados por um ataque cibernético na quarta-feira 20. As autoridades não souberam explicar a razão da falha e as agências de segurança sul-coreanas não quiseram especular sobre a origem do ataque, mas algumas suspeitas recaíram sobre a Coreia do Norte.

O Banco Shinhan, um dos principais do país, sofreu uma paralisação de duas horas em seus sistemas, incluídos caixas automáticos e as redes de online banking. Outro banco, o NongHyup, informou que seus computadores também sofreram ataque, mas que tudo foi recuperado rapidamente. As redes MBC e KBS tiveram seus sistemas paralisados pouco depois das 14 horas, incluídos alguns sistemas de edição de imagens, o que chegou a atrapalhar a transmissão de vários programas. Grande parte dos computadores teve seus discos rígidos completamente apagados. O problema foi resolvido somente sete horas após o ocorrido. O canal de notícias YTN também sofreu um ataque nos mesmos moldes.

Um policial entrevistado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap disse que os ataques aconteceram quase que simultaneamente. Horas antes, uma fonte da inteligência sul-coreana tinha dito à agência que os vizinhos do Norte poderiam tentar entrar nos sistemas locais para disseminar mensagens contra o governo de Seul. “Só pode ser um ataque feito por hackers, esse tipo de paralisação simultânea não pode ser causado por problemas técnicos”, disse Lim Jong-in, reitor da Escola Superior de Segurança da Informação da Universidade da Coreia à agência AP. “Os hackers deixaram sinais em alguns arquivos de ser esse só o primeiro de uma série de ataques.”

As forças de defesa entraram em alerta depois do ocorrido, pois algumas fontes do governo acreditavam que o ataque poderia ter sido proveniente da Coreia do Norte, capaz de ter orquestrado as paralisações como resposta às sanções econômicas aplicadas contra o país pela ONU.

Estudo feito pelo Centro de Segurança da Internet da Coreia estima que o país asiático treina uma equipe dedicada de hackers desde 1986, que teria como principal alvo a infraestrutura do Sul, afetando estações geradoras de energia elétrica, sinais de trânsito e sistemas de comunicação. O mesmo estudo também aponta a vulnerabilidade das usinas nucleares, responsáveis por fornecer quase 40% da eletricidade do país, passíveis de ser atacadas mediante vírus. As últimas estimativas dão conta de que somente mil pessoas têm o privilégio do acesso à internet na Coreia do Norte. Mas a suposta equipe de hackers mantida pelo governo do país certamente tornou-se uma das principais ameaças à outra Coreia após o ataque recente.