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The Observer

A Apple ainda não morreu

por The Observer — publicado 05/10/2013 06h16, última modificação 28/11/2013 17h20
O campo de distorção da realidade entrou em reversão, mas está nos cegando para a verdade: a Apple continua na frente. O iPhone 5s e iOS 7 têm uma arma secreta
Kazuhiro Nogi / AFP
Masayoshi Son

Em 30 de setembro, o CEO do SoftBank Mobile, Masayoshi Son, apresenta os resultados de um produto criado pelo banco para o iPhone 5

Por John Naughton

Quando Steve Jobs ainda vivia, muitos comentaristas – incluindo eu mesmo – costumavam se queixar do "campo de distorção da realidade" que cercava o carismático líder da Apple. Quem assistiu Jobs lançar os equipamentos e serviços (iPod, iTunes, OS X, iMac, MacBook, iPhone e iPad), que causaram rombos enormes nos modelos de negócios de indústrias estabelecidas, falava de eventos mais parecidos com reuniões de uma seita religiosa ao invés de uma entrevista coletiva de uma empresa. Conforme cresceu o predomínio da Apple, o homem que a liderava passou a ser visto como uma combinação única de visionário, guru, santo e magnata.

Mas então a mortalidade interveio e Sua Stevenidade se foi. O campo de distorção da realidade persistiu, porém, embora hoje esteja em reversão. Isso levou as pessoas a concluírem o seguinte: a morte do mágico levaria inevitavelmente ao fim da magia que tornou a Apple a empresa mais valiosa do mundo. Em comparação com Jobs, seu sucessor, Tim Cook, foi visto como carismaticamente deficiente. E embora pudéssemos esperar que a Apple prosperasse por mais algum tempo, era só porque Cook revelou inovações já em andamento quando Jobs vivia. Depois disso, o poço certamente secaria.

Foi contra esse pano de fundo que o infeliz Cook revelou os novos iPhones em 10 de setembro. Anunciou um modelo mais barato (o 5c), o mais requintado 5s e uma nova versão do sistema operacional Apple (iOS 7). Embora o evento tenha sido acompanhado da badalação habitual, a reação da mídia em geral foi um bocejo mal disfarçado. Sim, o 5c veio em cores brilhantes e era um pouco mais barato, mas não o suficiente para pegar a faixa inferior do mercado.

E apesar de o 5s ter um processador mais poderoso, um chip com sensor de movimento e uma câmera significativamente melhor, era na verdade apenas mais do mesmo. Bem, exceto pelo fato de que tinha um sensor de impressão digital para autenticação do usuário. E quanto ao iOS 7, bem, a única coisa realmente interessante era que agora tem ícones planos, em vez dos falsos 3D do iOS 6. Tudo mostrava (conforme implicava a narrativa) que a Apple tinha perdido o "mojo".

Como estudo de caso de como uma narrativa da mídia pode errar o ponto principal, esta seria difícil de superar. Então existe uma alternativa. O que a Apple fez em 10 de setembro foi lançar os primeiros hardware e software operacionais em 64 bits em um equipamento móvel. O número de bits é importante, porque todo processador de celular até agora foi um chip de 32 bits, o que significa essencialmente que ele só pode lidar com 4GB de memória operacional. Isso foi até agora suficiente para dispositivos móveis (e para a maioria das máquinas desktop), mas não é suficiente para computadores mais potentes. Então as perguntas realmente intrigantes levantadas pelo processador A7 do iPhone 5s, com sua capacidade de lidar com quantidades colossais de memória, são: por que ele está aí? E que pistas ele nos dá sobre o que a Apple planeja fazer a seguir?

Como o que a Apple pensa hoje o resto da indústria pensará no ano que vem, as respostas para essas perguntas serão interessantes. (Leitores com memórias compridas lembrarão que a Apple foi a primeira a abandonar os discos flexíveis, os modems internos, drives de CD/DVD e discos rígidos de laptops, e que em cada ocasião as omissões foram recebidas com uivos de desprezo da indústria, seguidos rapidamente de adoção envergonhada.)

Na mesma veia, a maioria da cobertura da mídia do iOS 7 se concentrou no "visual e tato" radicalmente diferentes da interface do usuário, cuja exiguidade e minimalidade foram atribuídas a Jony Ive, que hoje é o diretor geral de design de hardware e software da Apple. Isso é muito justo: afinal, para a maioria das pessoas, o aspecto mais importante de um equipamento é a interface do usuário. A coisa ficou mais fácil de usar depois da última "atualização"? A resposta para o iOS 7 parece ser um qualificado "sim".

Para os geeks, duas coisas sobre o iOS 7 se destacam. Uma é o fato de que a Apple conseguiu reescrever completamente um sistema operacional complexo para um ambiente de 64 bits – e despachá-lo em um estado relativamente livre de problemas a tempo. A outra é o modo como o iOS 7 soluciona um problema que vem perturbando engenheiros da Internet há anos – como garantir que se um modo de se conectar à rede falhar seu dispositivo possa mudar rapidamente para outro modo? A solução é chamada de "multi-path TCP" e – adivinhe? – o iOS 7 o possui. Mas você teria de ler muita cobertura da mídia sobre o lançamento do iPhone para saber disso. Os que pensam que a Apple atingiu o pico deveriam pensar melhor.

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