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The Observer

Ritmo "incrível" da perda de gelo polar alarma cientistas

por The Observer — publicado 01/09/2014 03h29, última modificação 01/09/2014 17h34
Satélite europeu mostra que as camadas de gelo estão encolhendo 500 quilômetros cúbicos por ano na Antártida e na Groenlândia
Baron Reznik / Flickr
 Jakobshavn, na Groenlândia

Jakobshavn, na Groenlândia, é uma das áreas onde o degelo é maior

Por Robin McKie

As duas maiores camadas de gelo do planeta – na Groenlândia e na Antártida – estão encolhendo a um ritmo surpreendente de 500 quilômetros cúbicos por ano. Essa é a descoberta feita por cientistas usando dados da sonda europeia CryoSat-2, que mede a espessura das camadas de gelo e geleiras da Terra desde seu lançamento pela Agência Espacial Europeia em 2010.

Ainda mais alarmante é que a perda de gelo nessas regiões mais que duplicou desde 2009, revelando o drástico impacto que a mudança climática começa a ter em nosso mundo.

Os pesquisadores, sediados no Instituto Alfred Wegener do Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha, na Alemanha, usaram 200 milhões de pontos de dados em toda a Antártida e 14,3 milhões na Groenlândia, todos coletados pelo CryoSat para estudar como as camadas de gelo se modificaram nos últimos três anos. O satélite possui um altímetro de grande precisão, que envia pulsos de radar curtos refletidos na superfície do gelo. Ao medir o tempo que isso leva, pode-se calcular a altura do gelo abaixo da espaçonave.

Descobriu-se pelas quedas médias de elevação detectadas pelo satélite que a Groenlândia sozinha está perdendo cerca de 375 quilômetros cúbicos por ano, enquanto na Antártida o volume de perda anual é de aproximadamente 125 quilômetros cúbicos. Esses índices – descritos como "incríveis" por um pesquisador – são os maiores observados desde que começaram os registros de altimetria por satélite, há de 20 anos, e significam que a contribuição anual das camadas de gelo para a elevação do nível do mar duplicou desde 2009, segundo os pesquisadores, em um trabalho publicado em Cryosphere na edição de agosto.

"Descobrimos que desde 2009 a perda de volume na Groenlândia aumentou por um fator aproximado de 2, e a camada de gelo na Antártida Ocidental por um fator de 3", disse a glaciologista Angelika Humbert, um dos autores do estudo. "Tanto a camada de gelo na Antártida Ocidental quanto na Península Antártida, no extremo-oeste, estão rapidamente perdendo volume. Em comparação, o leste da Antártida ganha volume, mas em um ritmo moderado que não compensa as perdas do outro lado do continente."

Os pesquisadores disseram ter detectado as maiores mudanças de elevação do mar causadas por perda de gelo na geleira Jakobshavn, na Groenlândia – recentemente, descobriu-se que ela perde gelo para os oceanos mais depressa do que qualquer outra geleira –, e na geleira da Ilha Pine, que, como outras geleiras da Antártida Ocidental, vem diminuindo rapidamente nos últimos anos.

A descoberta dessas perdas de gelo é especialmente notável e constitui mais um golpe para as teorias dos que negam a mudança climática, afirmando que a rápida perda de gelo no Ártico que se observa atualmente é compensada por um aumento correspondente na Antártida. As medições do CryoSat mostram que a Antártida – embora consideravelmente mais fria que o Ártico por causa de sua elevação média muito maior – não está ganhando qualquer gelo. Na verdade, de modo geral perde volumes consideráveis, e no caso da Antártida Ocidental o faz em ritmo alarmante.

Esse ponto foi salientado por Mark Drinkwater, cientista da missão CryoSat da Agência Espacial Europeia. "Esses resultados oferecem uma nova perspectiva crítica sobre o recente impacto da mudança climática nas grandes camadas de gelo. Isto é particularmente evidente em partes da Península Antártida, onde algumas características notáveis podem comprovar o impacto do aquecimento constante da península em índices muitas vezes maiores que a média global."

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