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Sustentabilidade

Análise

El Niño pode afetar a produção agrícola de 2014

por Paulo Yokota — publicado 01/05/2014 11h00, última modificação 01/05/2014 11h01
Irregularidades climáticas podem gerar também furacões e fortes chuvas

Alguns fenômenos climáticos já são conhecidos por terem ocorrido ao longo de muitas décadas, como os que ficaram conhecidos como El Niño, com temperaturas mais elevadas em determinadas correntes marítimas, e La Niña com temperaturas mais baixas, com consequências na atmosfera. Preocupam a todos que acompanham as irregularidades que afetam fortemente as produções agrícolas em várias partes do mundo. O site da Bloomberg publicou dois artigos recentes sobre o assunto: um escrito por Patrik Parija, referindo-se à estimativa de redução das importantes chuvas conhecidas como Monções no Sudeste Asiático nos próximos meses, relevantes para a produção agrícola na região; e outro, por Brian K. Sullivan, indicando que o Pacifico está mais quente. Isto devido ao excesso de carbono o que aumenta o risco de El Niño no próximo segundo semestre, afetando áreas críticas para a produção agrícola. Porém, ainda são necessárias observações adicionais para confirmar tais tendências.

O South Asian Climate Outlook Forum declarou em Pune, na Índia, em meados deste mês de abril, que, provavelmente, as chuvas ficarão abaixo do normal no Sudeste Asiático, ainda que perdurem dúvidas. Devem afetar mais de 50% das terras agrícolas da região, atingindo principalmente as culturas de açúcar, arroz e algodão, dificultando a retomada do crescimento econômico e aumentando as pressões inflacionárias. Na Índia, a inflação acelerou-se para 8,31% em março, e a expansão da economia reduziu-se para menos de 4,5% ao ano.

Sobre a possibilidade do El Niño ligado ao aquecimento da temperatura de correntes marítimas no Pacífico, o US Climate Prediction Center afirmou neste mês que as chances de ocorrer o fenômeno aumentaram para 65%, quando antes eram estimadas em 52%. As previsões tenderiam para condições climáticas secas acima do normal, não se podendo prever ainda se ocorreria mais cedo ou tarde no ano, afetando a Austrália, as Filipinas e a Indonésia, provocando um inverno mais quente nos Estados Unidos. Costumam atingir também a América do Sul, incluindo o Brasil. Diferentes entidades estimam efeitos sobre a produção do óleo de palma, cacau, café, açúcar, sementes para óleos, lentilhas, soja, amendoim, trigo e arroz, dependendo das regiões em que se concentram suas atenções.

Alem destes efeitos sobre a produção, há possibilidades de formação mais intensa dos furações que causam elevados danos materiais, além de mortes, tanto nas Américas e Caribe, como no Pacífico e na Ásia. Existem históricos destes fenômenos climáticos que são conhecidos ao longo do tempo, relacionados com as temperaturas atingidas nas correntes marítimas com influências na atmosfera. Ainda que não existam relações seguras entre os fenômenos, são previsíveis pelas suas tendências, indicando possibilidades maiores ou menores, utilizando diversos locais de observações das temperaturas.

Os dados disponíveis até o momento permitem atribuir chances de 95% de El Niño fraco, mas de 65% para o de força moderada. As formações das condições para estes fenômenos são demoradas e complexas, não havendo uma exatidão nas suas previsões, ainda que o acúmulo de informações esteja se intensificando. O que os especialistas em meteorologia estão constatando é o aumento das irregularidades climáticas relacionado com o lançamento crescente de gases poluentes na atmosfera de responsabilidade tanto de países desenvolvidos como emergentes, sem que se atinja um acordo internacional operacional, principalmente diante de um quadro de baixo crescimento econômico que limita a disponibilidade de recursos.

Como os modelos meteorológicos disponíveis não são ainda completos, mesmo com levantamento de informações em maior número de localidades, as previsões não podem ser consideradas seguras. Evidentemente, quanto maior a proximidade do fenômeno, as previsões acabam contando com maior probabilidade de acertos, ainda que não sejam totais.

As correntes marítimas do Pacífico estão entre as mais estudadas, e os modelos disponíveis permitem, com margens de erros de poucos dias, prever-se as chuvas em muitas regiões da América do Sul, inclusive Brasil. No litoral e na região da Serra do Mar as previsões são mais fracas, mas a partir da região de Jundiaí para o interior elas são mais estáveis. Muitos produtores agrícolas utilizam estes dados para efetuarem suas semeaduras, e as chuvas podem apresentar defasagens de alguns dias, perfeitamente suportáveis pela agricultura. Mas, nem sempre as intensidades das chuvas são previsíveis com acertos elevados.

As quantidades dos pontos de observação são cruciais para os acertos das previsões. Na região de Tóquio elas são efetuadas para os diversos horários do dia, por bairro, havendo acertos elevados sobre a velocidade dos ventos, bem como as precipitações e temperaturas, com um mínimo de margem erro. Em São Paulo, lamentavelmente, o número de locais de observações é baixo.