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O nó que o Brasil quer desatar em Paris

por Deutsche Welle publicado 08/12/2015 11h53, última modificação 11/01/2016 08h50
Acordo para frear mudanças climáticas só vai sair se países ricos e emergentes se entenderam na COP21. Essa é a missão extra que foi dada ao Brasil
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma-Rousseff-COP21

A COP21 elegeu Brasil e Cingapura para ajudar os franceses nessa difícil tarefa

A Conferência do Clima talvez seja o único espaço em que os países ricos buscam negociar em pé de igualdade com os mais pobres. Essa “busca por igualdade” se opõe a um dos princípios da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), que estabeleceu desde sua criação, em 1992, a necessidade da diferenciação. Esse embate pode colocar as negociações em Paris, na COP21, a perder.

Para que o acordo mundial que limita as emissões de gases estufa saia até a próxima sexta-feira, todos os 195 países precisam enxergar da mesma forma os seus papéis nesse drama global. E, para desatar esse nó, a COP21 elegeu Brasil e Cingapura como facilitadores para ajudar os franceses nessa difícil tarefa.

O time, liderado por Izabella Teixeira, ministra de Meio Ambiente, e Vivian Balakrishnan, ministra de Relações Exteriores de Cingapura, está diante de um dos maiores desafios dessa conferência, e representantes de outros países concordam.

“A diferenciação é parte importante da negociação e tem sido assim por muito tempo”, afirmou Ernest Moniz, secretário americano de Energia, à DW Brasil. “Estamos procurando um jeito de reconhecer os diferentes estágios de desenvolvimentos dos diferentes países. Nós insistimos que não é uma questão estática.”

O peso de ser emergente

Como os Estados Unidos, a maior parte dos países desenvolvidos acredita que a responsabilidade de salvar o planeta aumenta à medida que a economia de uma determinada nação avança. Para crescer, os países normalmente consomem mais energia em suas fábricas, comércios e casas, o que aumenta as emissões. A China é um caso clássico.

Por outro lado, as economias mais tradicionais têm poluído a atmosfera há séculos, e seriam as responsáveis históricas pelo aquecimento global. A contribuição histórica teria que ser levada em conta: “Acreditamos a economia se desenvolve e com ela também as responsabilidades mudam”, rebate Moniz.

Laurent Fabius, presidente da COP21, reconhece que deu uma missão complicada ao Brasil. “É um trabalho difícil”, disse durante a plenária na noite desta segunda-feira (07/12), numa declaração que reflete o quão rígido é pacto que Paris quer anunciar.

“Diferenciação é um tema que aparece em várias áreas do acordo. Na área de financiamento, diz respeito a quem deve pagar mais a conta; na área de transparência é sobre o peso que o monitoramento e avaliação (das promessas de corte de emissão) terão para os ricos e pobres”, comenta Pedro Telles, do Greenpeace, que tem acesso às reuniões.

Xangai-poluição
Poluição em Xangai, na China(Mariusz Kluzniak)

A luta continua

Os governos de países emergentes e em desenvolvimento não querem ser tratados como iguais, e esperam mais comprometimento dos mais ricos. “Quanto à questão de finança, existe um entendimento geral de que ricos têm que continuar na liderança para providenciar recurso para os mais pobres”, disse Luiz Alberto Figueiredo durante a sessão plenária que apresentou os resultados parciais.

A equipe brasileira deve continuar o trabalho para desatar o nós até a próxima quinta-feira. “O Brasil é um mediador, bom facilitador. Mas a missão é desafiadora”, comenta Telles.

Os apelos para que os países se entendam e assinem um acordo global para barrar o aumento da temperatura global vêm de todos os lados. Ban Ki-moon reapareceu na COP21 pra dizer que “sete mil pessoas querem saber se vocês, líderes globais, defendem o interesse de todos eles e suas crianças.”

Até Arnold Schwarznegger, ex-governador da Califórnia pediu pressa. Em Paris, a estrela deExterminador do Futuro pediu que os governos tomem decisões imediatas para que a mudança comece hoje, e não apenas em 2050 ou 2100.

Por Nádia Pontes

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