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Sustentabilidade

Conferência do Clima

O clima definitivamente entrou na pauta global

por Reinaldo Canto publicado 23/06/2015 09h58, última modificação 23/06/2015 10h30
Notícias das últimas semanas revelam preocupação com as mudanças climáticas e seus efeitos, mas ainda falta o Brasil entrar no clima
AFP PHOTO / JUSTIN TALLIS
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Ativistas chamam a atenção para o aquecimento global durante ato próximo ao parlamento inglês, em Londres

Já não era sem tempo e nem por falta de sinais gritantes das mudanças climáticas, cada vez mais intensos e preocupantes. Finalmente, a questão foi reconhecida como uma seríssima ameaça a sobrevivência do ser humano num planeta mais quente e instável.

As boas notícias começaram no encontro do G-7, o grupo de países mais desenvolvidos do mundo (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, EUA, Canadá e Japão) reunidos na Alemanha, que decidiu, pela primeira vez, encarar de frente o desafio de “descarbonizar” a economia. Ou seja, por um fim, mesmo que a longo prazo, ao uso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) que tem sido a base energética da economia mundial ao menos há 200 anos.

Inicialmente o acordo dos países ricos prevê a redução entre 40 e 70%, até o ano de 2050, das emissões de gases de efeito estufa; e o comprometimento com aportes de recursos para um fundo de US$ 100 bilhões a serem investidos em tecnologia para a adoção de energias limpas e renováveis nos países pobres, principalmente no continente africano.

O objetivo mais imediato dos países que compõem o G7 é o de frear o aquecimento do planeta para que não ultrapasse os dois graus centígrados, considerados pelos cientistas um patamar crítico, já que o aumento da temperatura média poderá acarretar em mais fenômenos climáticos extremos, extinção acelerada de espécies, além de acarretar no aumento nos níveis dos oceanos, entre outras consequências. Segundo o comunicado emitido pelo G7 a economia mundial deverá estar “descarbonizada” até o ano de 2.100.

Ainda faltam detalhes sobre como será a execução do plano na prática, mas o anúncio e a importância dada ao tema são inéditos e demonstram claramente a preocupação desses líderes com o futuro do planeta. Isso não é pouca coisa. Muitos entenderam a posição como histórica, por representar o início do fim da era dos combustíveis fósseis, até aqui a base da economia global desde a Revolução Industrial.

Papa antenado com o clima  

A outra boa notícia veio do Vaticano e eis que mais uma vez o Papa Francisco surpreende e renova o seu empenho em falar sobre problemas contemporâneos. Desta feita em sua primeira encíclica – “Laudato si’” (Louvado sejas), ele cita o Patriarca Ecumênico Bartolomeu: “Um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus.”

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Turistas no Vaticano passam por cartaz sobre a encíclica papal que tratou do clima

Se não fosse pouca coisa, o Papa ainda afirma, fazendo uma direta referência às mudanças climáticas: “o urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar”.

Em consonância com os preceitos adotados desde a Conferência das Nações Unidas, a Rio+20, no Rio de Janeiro em 2012, que colocou o desenvolvimento sustentável ao lado da erradicação da pobreza, o Papa Francisco fez coro e reforçou a sua preocupação com os menos favorecidos: “São inseparáveis as preocupações com a natureza, a justiça para com os pobres, o empenho da sociedade e a paz interior.”

E agora Brasil?

Em recentes declarações durante o encontro de cúpula com a União Européia a Presidenta Dilma Roussef afirmou que o Brasil tem sido um dos países que mais reduziu suas emissões, graças principalmente a queda do desmatamento. Mesmo assim, para a 21ª Conferência do Clima a ser realizada em Paris no final do ano, será preciso um compromisso mais efetivo e não apenas jogo de palavras.

Nessa ocasião deverão ser assumidos novos compromissos para substituir o Protocolo de Kyoto com metas mais ambiciosas para todos os países. Ainda mais entre os maiores emissores, caso do Brasil que ocupa a 10ª posição. As pressões sobre o governo já começaram, entre elas, o Lançamento da Coalizão Brasil: Clima, Florestas e Agricultura, movimento com a presença de mais de 50 entidades representantes do setor privado e de importantes organizações do terceiro setor, nesta semana que, “pretende propor e promover políticas públicas para o estímulo à agricultura, pecuária e economia florestal que impulsionem o Brasil como protagonista na liderança global da economia sustentável e de baixo carbono, gerando prosperidade, com inclusão social, geração de emprego e renda”. 

A Coalizão vai divulgar um documento que apresenta propostas de políticas e ações efetivas  que devem contribuir para a estruturação da posição do Brasil na COP21.

Nesses seis meses que faltam para o encontro de Paris novas discussões e debates virão e o Brasil deve entrar no clima positivo que começa a tomar corpo mundo afora.