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Sustentabilidade

21ª Conferência das Partes

Metas nacionais da COP-21 não garantem elevação de apenas 2ºC

por Dal Marcondes, da Envolverde — publicado 04/07/2016 14h32, última modificação 05/07/2016 16h57
Brasileiro Roberto Schaeffer participou de estudo com nove especialistas que é destaque na atual edição da revista 'Nature'
Rafael Carlota/PR
COP21

O artigo serve como uma baliza para que os países entendam que devem ser mais ambiciosos na revisão de suas INDCs

Mesmo que os países cumpram integralmente as metas de emissão descritas em suas INDCs (pretendidas contribuições nacionalmente determinadas) submetidas em preparação para a 21ª Conferência das Partes (COP-21), realizada em Paris, em dezembro de 2015, o planeta chegará a 2100 com uma temperatura média cerca de 2,6°C a 3,1°C superior àquela verificada na era pré-industrial. 

Esta é uma das conclusões do estudo realizado por nove especialistas de diferentes países, entre eles o brasileiro Roberto Schaeffer, professor da Coppe/UFRJ, que será um dos destaques da revista Nature, na edição publicada em dia 30 de junho.

Roberto Schaeffer propõe que os países revisem suas metas e apresentem propostas mais ambiciosas se pretendem, de fato, cumprir o que foi acordado e Paris. O estudo conclui sem uma revisão drástica das metas apresentadas não será possível atingir as metas climáticas desejadas até o final deste século. 

No artigo “Paris Agreement climate proposals need a boost to keep warming well below 2°C”, os autores fazem uma abordagem inédita sobre o alcance das INDCs apresentadas pelos governos de 160 países em preparação para o Acordo de Paris.

No caso de cumprimento integral das INDCs, a soma das propostas aponta, na melhor das hipóteses, para uma elevação de 2,6°C e, na pior, de 3,1°C. No entanto, há ceticismo em relação á capacidade dos governos de cumprirem, todos, integralmente o que foi proposto.

Diante da incerteza do que, de fato, será alcançado em termos de cumprimento das metas, o estudo incorpora uma série de análises probabilísticas, com previsões sobre a elevação da temperatura diante de diferentes hipóteses, que consideram as emissões de CO2 diante de quatro cenários. Para cada um deles, o estudo aponta a gradação da elevação média esperada da temperatura.

Segundo o pesquisador Roberto Schaeffer, diante desse fato o Acordo de Paris prevê a necessidade de se revisar as metas nacionais de forma a ajustar para que se atinja, de fato, o objetivo de elevação máxima da temperatura em 2°C, sendo que o indicativo da COP-21 é que o esforço deveria ser para manter esse número em 1,5°C. “O acordo prevê que a cada 5 anos deve ser feita uma revisão nos esforços nacionais de forma a garantir o atendimento da meta”, explica.

O artigo, segundo Schaeffer, serve como uma baliza para que os países entendam que devem ser mais ambiciosos na revisão de suas INDCs. “O que eles chegaram até agora pode chegar a 2,9°C e não dá para esperar até 2013 para fazer uma revisão. Já que sabemos que a soma não está dando ainda, é preciso agir rapidamente”, diz. O que é mais preocupante é que a meta mais ambiciosa de elevação de apenas 1,5°C não é mais possível de ser atingida, segundo o pesquisador da Coppe/UFRJ. “Mas os 2°C ainda é possível se os países começarem a fazer alguma coisa até 2020”, explica.

Uma oportunidade que se apresenta agora é que cada país terá agora de ratificar suas metas e o que foi assinado em Paris em seus Congressos nacionais. “Esse é um momento importantes, porque nada impede que os países já apresentem aos parlamentares uma meta já retificada, mais ambiciosa e capaz de garantir a o aquecimento original de 2°C”, explica  Schaeffer.

Outro dado importante, segundo ele, é que o Brasil está em um ciclo recessivo, o que inibe a atividade econômica e, portanto, há uma redução natural das emissões, sem que isso represente um esforço para o cumprimento da meta.

Portanto, se o país fizer os investimentos e as ações propostas na INDC, pode ser que chegue a 2030 com números que anteriormente estavam previstos para serem ultrapassados em 2020. “Tenho colegas pesquisadores chineses que também acreditam que seu país vai conseguir superar as metas a INDC proposta em Paris”, diz.

O estudo publicado pela Nature, que pode ser lido aqui, é um documento estruturante para o monitoramento das INDCs dos países e para garantir que os ajustes necessários para o cumprimento das metas da COP-21, sejam feitos com a ambição e magnitude necessárias.

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