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Sustentabilidade

COP 21

Em Paris, o primeiro desenho do futuro acordo climático

por Reinaldo Canto publicado 07/12/2015 11h42, última modificação 11/01/2016 08h50
Tópicos cruciais continuam presentes no documento, mas até a semana que vem ainda vai rolar muita negociação
Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff participa do COP21 em Paris

Presidenta Dilma Rousseff participa do COP21 em Paris

Assim como foi prometido, os negociadores presentes à COP 21 em Paris, divulgaram na manhã do sábado 5 o primeiro esboço do novo acordo climático que deverá ser assinado pelos mais de 190 países até o final da próxima semana.

O documento lançado contém 48 páginas e várias anotações. Denominado Grupo de Trabalho Ad Hoc da Plataforma de Durban para uma Ação Reforçada (ADP) representa um importante esboço e mantêm todas as possibilidades em aberto.

“Todos os elementos que consideramos cruciais estão mantidos nessa primeira versão do acordo”, analisa positivamente Pedro Telles, coordenador do projeto Mudanças Climáticas do Greenpeace Brasil, mas deixa no ar um alerta, “como tudo ainda está na mesa, não será fácil que continuem até o final”.

O certo é que os ministros e autoridades dos países negociadores deverão ainda ter muito trabalho até a semana que vem. Mas importante notar que, apesar de não ser um posicionamento unânime, o tom das discussões plenárias segue otimista. 

Permanecem sendo os pontos-chave, que ainda requerem muita negociação, o financiamento necessário para colocar em prática as ações climáticas que descarbonizem a economia do planeta  e o momento de execução das INDCs de cada país (Intended Nationally Determined Contribution – sigla em inglês para a contribuição nacionalmente determinada) que são as contribuições assumidas por cada país. 

Basicamente, quem vai pagar mais a conta da transição para um mundo livre de emissões de carbono e de quanto em quanto tempo serão feitas as revisões das INDCs.

Na questão do financiamento, os países mais pobres continuam a pressionar os ricos para que assumam custos maiores. Em relação ao tempo, permanece incerta a revisão de metas a cada cinco anos.

Por enquanto, continuam valendo as palavras de Christiana Figueres, secretária-executiva da Convenção sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), nos primeiros dias dos trabalhos aqui no Le Bourget, em Paris, afirmando que não temos com o que nos preocupar, pois o acordo vai sair e será legalmente vinculante, ou seja, com força para ser cumprido.

Ela também aproveitou para colocar uma espada na cabeça de todas as lideranças políticas mundiais, “nunca tanta responsabilidade esteve nas mãos de tão poucos”.

Apesar de tudo, apesar de todos, vamos seguir otimistas e na cobrança por um acordo climático satisfatório que contemple os interesses da humanidade.