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Ciência e tecnologia para superar a pobreza

por Ana Júlia Carepa — publicado 07/12/2011 17h50, última modificação 06/06/2015 18h20
Os investimentos em ciência, tecnologia e inovação são o único caminho para o desenvolvimento humano na Amazônia.
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O Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá. Foto: Agência Pará

Unir ciência e economia para valorizar os recursos naturais do Pará, qualificar força de trabalho e aumentar a competitividade de trabalhadores, empresas e municípios no Pará.

Essa foi a estratégia que adotamos para viabilizar um modelo de desenvolvimento, cujas bases se assentavam sobre o conhecimento sistematizado por instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapespa),criada em 2007, o recriado Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Idesp), três mil bolsas de pesquisa, parceria com quatro institutos nacionais de ciência e tecnologia, cinco redes de pesquisa, criação de uma rede de comunicação integrada pela internet (NavegaPará) e equipamentos para laboratórios estratégicos.

Os parques de ciência e tecnologia em Belém, Marabá e Santarém são um legado dessa política. Foram pensados para reunir nas três cidades pólos das principais regiões do estado instituições de ciência e pesquisa, empresas e governo, com o objetivo de transformar conhecimento em produtos e processos inovadores, gerando emprego e renda de maior qualificação.

Nosso desafio era reverter a médio e longo prazos índices baixíssimos de desenvolvimento humano no Pará com políticas de desenvolvimento que explorassem os recursos naturais sem destruir o meio ambiente.
Ciência, tecnologia e inovação são a única alternativa para aumentar a competitividade de empresas e trabalhadores, cidades e regiões, estruturando o estado para superar a sua condição de pobreza. Na nossa opinião, esse é um caminho eficiente e sustentável para que o Pará tenha mais empregos, e, principalmente, mais recursos para atender a necessidade de investimentos em saúde, educação, saneamento, estradas, etc.... Um caminho muito melhor do que simplesmente querermos mais recursos de FPE (Fundo de Participação dos Estados).

Partimos do pressuposto de que matéria-prima não nos falta, mas precisamos de produtos com valor agregado. Design e qualidade nos móveis, em vez de apenas madeira; fármacos e cosméticos, em vez de  biodiversidade em estado bruto. Aço galvanizado produzido no Pará, em vez de exportar ferro.

Os parques de ciência e tecnologia sintetizam conhecimento científico e empreendedorismo para gerar soluções tecnológicas e desenvolver produtos, com maior valor agregado. Em Belém, o PCT que inauguramos na UFPA dispõe de laboratórios como o de óleos vegetais, que poderá caracterizar e certificar a produção paraense. O Ceamazon, de energia, para otimizar a eficiência energética de grandes e pequenas empresas. O Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, o de Biotecnologia.

Com a cooperação de algumas das maiores instituições de pesquisa e de alguns dos maiores cientistas do Estado esse momento estratégico culminou com a decisão da mineradora Vale de instalar seu instituto tecnológico no PCT Guamá, em Belém. Aliás o instituto tecnológico da Vale é um dos mais lindos projetos arquitetônicos que conheci.

Aprovado o financiamento do nosso projeto de parques tecnológicos no BNDES, o Estado deve continuar o trabalho no PCT Guamá e agora implantar os PCT de Marabá e de Santarém, este último com protocolo de intenções assinado esta semana, em Belém, formalizando a parceria entre governo do estado e Universidade Federal do Oeste do Pará para a sua implantação em cinco anos.

Os parques tecnológicos criam condições para um Sistema Paraense de Inovação, para fazer a mediação entre a produção planetária de ciência, tecnologia e inovação com a realidade local, porque foram concebidos para oferecer serviços às empresas, consultorias, customizações, expertises. E as empresas podem usá-los para desenvolver novos produtos, ou investir em projetos de pesquisa já avançados, ou contratar pacotes para otimizar a produção, como na área da eficiência energética,  respondendo a demandas sociais, solucionando gargalos tecnológicos e desenvolvendo novos produtos e processos.

Em menos de quatro anos, construiu-se uma estrutura que será determinante para novas ações, dentre os quais ressaltamos aqui o NavegaPará, uma infovia que integra todo o Pará e ainda hoje é reconhecido como o maior programa de inclusão digital do Brasil levado a cabo por um só Estado.

Para superarmos a pobreza e termos um desenvolvimento que realmente combine qualidade de vida do nosso povo com respeito ao meio ambiente, os investimentos em ciência, tecnologia e inovação são o único caminho para a Amazônia.