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Chefe Suruí é premiado como Herói da Floresta pela ONU

por Redação Carta Capital — publicado 11/04/2013 14h53, última modificação 11/04/2013 14h55
"A homenagem será um instrumento de luta para nossa missão", diz o ativista indígena Almir Narayamoga após a celebração
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O líder indígena Almir Narayamoga

 

Por Felipe Milanez

O líder do povo Paiter Suruí, Almir Narayamoga, foi homenageado com o prêmio Herói da Floresta, concedido pela Organização das Nações Unidas, em cerimônia celebrada na quarta-feira 10, em Instambul (Turquia), durante a 10ª sessão do Fórum sobre Florestas da ONU. Ele sucede a outros brasileiros que também receberam a homenagem, como o jornalista Felipe Milanez (que assina este texto), Paulo Adário, vencedor na mesma categoria de Narayamoga, e o casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, que receberam o prêmio especial em uma homenagem póstuma, recebido por Laisa Santos Sampaio, educadora e extrativista, irmã de Maria.

O prêmio a Narayamoga, assim como ao casal de ambientalistas, mostra a preocupação da Secretaria de Florestas da ONU em destacar o papel das populações tradicionais das florestas. É uma mudança no rumo do ambientalismo, menos conservador e mais ligado a questões sociais. "O prêmio homenageia as pessoas que lutam para as florestas para as pessoas", disse Jan McAlpine, secretária de florestas da ONU. O prêmio dado em homenagem ao casal de ambientalistas mortos no Pará, no ano passado, agora é dedicado à luta do líder indígena.

Narayamoga foi indicado pela Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí. Na indicação, ele foi assim apresentado: "Almir transpõe de forma inovativa, criativa, ética, a fronteira entre o mundo indígena e aquele da sociedade que os circunda. É um pacifista, como Gandi. Sonha com uma convivência harmônica entre as culturas, com a sobrevivência da diversidade cultural como um fator importante para toda a humanidade, e a sobrevivência da floresta, como um bem maior também para toda a humanidade Almir ensina que é possível conviver, conviver entre culturas e formas de ver o mundo, e conviver com a natureza que, para ele, não está separada da existência, mas sim, é parte integrante da existência e da cultura. A posição de Almir é única: como grande líder do povo Paiter Suruí, e como grande homem de negócios que viaja o mundo em busca de proteger a existência de seu povo e da natureza. Almir."

Por e-mail, direto de Istambul, Narayamoga comentou o prêmio, “um reconhecimento muito importante, mais ainda da ONU, e por isso se torna como um instrumento de luta para nossa missão". Em seu discurso ele falou que a luta para o desenvolvimento e a preservação "não tem sido fácil. Tem trazido também muito inimigo, que ameaçam de morte a nossos lideres comunitárias". Narayamoga é ameaçado de morte por madeireiros e anda com escolta da Força Nacional. Abaixo, a íntegra do discurso que ele apresentou na convenção da ONU.

"Boa noite a  todos, Gostaria de cumprimentar secretario adjunto da Nações Unidas e diretora de Fórum das Nações Unidas sobre Floresta,  dizer meu alegria por esta aqui participando este momento tão importante para Floresta do mundo, porque acreditamos que este reflexão da decisões tomada durante este Fórum pode se tornar um instrumentos importante para nossa floresta sustentável.

Acreditando neste construção conjunto temos lutado bastante para que sistema de desenvolvimento atual reconhecem e valorizassem a nossa floresta em pé, porque sabemos da importância da floresta para garantir futuro das nossas gerações, aqui não estou dizendo que floresta tem que ser intocável, estou dizendo que precisamos o planejamento responsável para uso sustentável da floresta, só assim podemos garantir futuro da nossa humanidade!  Como povo indígena no Brasil temos tentado mostra que floresta e todo para o mundo.

Mostrando experiência dos povos indígenas com o exemplo de uso da floresta  como por exemplo do povo Paiter tem trabalho na visão de garantir sustentabilidade da floresta, cultura, outro conhecimento através de uso e respeito da floresta, na pratica estamos fazendo florestamento aonde foram desmatado dentro do território indígena Paiter Surui, e ate agora conseguimos plantar mais 140 mil mudas de planta nativa da Amazônia.

Acreditamos ainda com este trabalho podemos trazer equilibro econômico e da equilibro na mudança de climas para manter nossa planeta vivo com qualidade de vida humano.

Para construir este modelo de desenvolvimento, não tem sido fácil, tem trazido também muito inimigo, que ameaçam de morte a nossos lideres comunitárias, mesmo tempo temos oportunidade de acreditarem na mudanças atrás de reconhecimento igual este momento que esta acontecendo durante este fórum das Nações Unidas sobre Floresta.

Cheguei aqui com apoio da minha família e do povo Paiter Surui, e aquele que apoiam nossa luta, para podemos continuar lutando para proteger a vida da nossa população como todos, porque floresta e todo na nossa vida usamos dela como medicinas, nossa alimentação, matéria prima para nosso rituais, que faz parte da nossa historio de vida e fazemos parte da historia da floresta.

Assim gostaria de  pedir a comunidades internacional, apoio para ajudar salvar nossa floresta Amazônica Brasileira, porque sem floresta somos nada. Hoje está sendo ameaçado pelo próprio congresso Brasileiro de estar aprovando lei que vai autorizar garimpo em terras indígenas, e mudar regras de demarcação das terras indígenas no país.

Se fizeres isso nosso direitos não terão respeito do governo do nosso País Brasil

Ainda creditamos que poderá ser criado uma consciência da politica econômica e desenvolvimento mais humano pelo nosso planeta mais sustentável.

Muito Obrigado!!"

Metareilá