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Brasil perde 6,5 Cantareiras em vazamentos na distribuição

por Dal Marcondes publicado 30/11/2015 18h29, última modificação 05/01/2016 10h47
As perdas nos sistemas de distribuição de água poderiam abastecer 50 milhões de pessoas todos os anos no Brasil
Vagner Campos/A2
Quantidade daria para abastecer com água de qualidade mais de 50 milhões de pessoas

Quantidade daria para abastecer com água de qualidade mais de 50 milhões de pessoas

As perdas de água já tratada nos sistemas de distribuição das cidades brasileiras são o principal manancial a ser explorado pelos serviços de abastecimento. Os vazamentos representam uma perda de 6,5 vezes o Sistema Cantareira por ano, o que daria para abastecer com água de qualidade mais de 50 milhões de pessoas.

Esses vazamentos são um problema antigo e não eram combatidos de forma sistemática e efetiva por conta de uma aritmética simplista: é mais barato tratar a água do que combater os vazamentos. Essa conta estranha poderia fazer algum sentido enquanto havia água em abundância nos mananciais e tirar 30 ou 40% a mais do que o necessário não impactava o serviço a longo prazo.

Atualmente, com grande parte do Brasil vivendo uma crise hídrica, essa é uma conta que não fecha. A média de 40% de perdas nos sistemas de distribuição não é mais aceitável diante da possibilidade real de restrições no consumo em áreas densamente povoadas.

Essa é a ótica adotada pelo Movimento Pela Redução das Perdas de Água na Distribuição, lançado em 25 de novembro em evento em Brasília, durante o Congresso da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), com a presença de representantes de empresas que apoiam, de autoridades e especialistas no tema água.

O Movimento, que adotou o slogam  “– Perda + Água”, é uma iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global das Nações Unidas, e tem como organizações líderes a Sanasa, empresa de distribuição de águas de Campinas, no interior paulista, e a Braskem.

Elas, no entanto, não estão sozinhas nessa cruzada, mais de 150 empresas, organizações sociais e órgãos de governo já se alinharam às metas do Movimento, que pretende alinhar o Brasil com as metas definidas nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Entre os ODS há um em especial, o de número 6, que prevê: “Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”, e em seu item 6.4 diz: “Até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce para enfrentar a escassez de água, e reduzir substancialmente o número de pessoas que sofrem com a escassez de água”.

O desafio do Movimento “- Perda + Agua” é criar uma consciência social e política da necessidade de ação em relação às perdas. Para isso está se organizando para atuar junto aos candidatos a prefeito em todo o Brasil, e em todos os partidos que participarão das eleições de 2016.

Para Sonia Chapman, executiva da Braskem e uma das porta-vozes do movimento, “essa é uma Missão de longo prazo e o horizonte vai até 2030, tempo estipulado pelas metas dos ODS”, explica.

Participaram do evento de lançamento o presidente da Agência Nacional de Água (ANA), Vicente Andreu Guillo, que colocou a ANA como apoiadora e fornecedora de dados e informações para balizar o Movimento, Paulo Ferreira, Secretário Nacional de Saneamento Básico, ligado ao Ministério das Cidades, o consultor independente e ex-presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, o prefeito de Piracicaba (SP), Gabriel Ferrato, e o atual vereador por São Paulo, Ricardo Young, que fez a palestra de inspiração do lançamento.

Para Ricardo Young é importante a mudança do olhar dos gestores públicos, “tendo como valor não apenas os recursos financeiros, mas principalmente a preservação dos mananciais para a garantia do abastecimento às pessoas”, disse.

O consultor Gesner de Oliveira, que realizou um recente estudo sobre o tema para a organização Trata Brasil, além da decisão política das prefeituras e empresas que atuam na captação, tratamento e distribuição de água, é necessário que haja fontes de recursos para as ações.

“O problema é antigo e a maior parte das empresas sabe que existe, no entanto, o custo de uma grande operação de redução de perdas não é pequeno”, alerta. Para ele é necessário que as prefeituras e empresas tenham apoio na elaboração de projetos e no financiamento às ações.

Para Arly de Lara Romêo, Presidente Sanasa, nomeado Embaixador do Movimento, a redução de perdas é possível, mas será necessário um intenso trabalho de informação e transferência de tecnologias entre empresas do setor. “Temos os melhores técnicos e precisamos articular ações efetivas que resultem em ganhos para a sociedade”, explicou.

O movimento tem quatro linhas de atuação.

O de políticas públicas propõe pressão política para que o plano de saneamento adote meta ousada para redução de perdas hídricas, além de definição do papel dos órgãos públicos na execução, monitoramento e fiscalização dos sistemas de distribuição e abastecimento de água.

Consciência e engajamento quer realizar campanhas disseminadas amplamente por mídias sociais, veículos de comunicação, participação e organização de eventos sobre o assunto.

Existe ainda a proposta de elaboração de indicadores confiáveis e consistentes, que permitam o monitoramento ao longo de um período e cujos resultados possam ser comparados com outros países.

Por fim, há a capacitação de gestores e mão de obra – abrangendo prefeitos, assessores e quadros técnicos das prefeituras e empresas de saneamento para gestão dos recursos hídricos –, elaboração de projetos, mapeamento de linhas de financiamento e operação de equipamentos. Além disso, uso da tecnologia para acesso às melhores soluções e equipamentos para redução de perdas hídricas.