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A expansão da energia térmica solar

por Envolverde — publicado 10/11/2010 11h11, última modificação 10/11/2010 11h11
Como ocorre com todas as fontes de energia renováveis, o desafio da energia solar térmica em larga escala é chegar a um custo de produção competitivo

Por Adriano Pires, para a Plurale

As centrais termoelétricas a energia solar se expandiram significativamente nos últimos dois anos no mundo, alcançando a capacidade instalada de aproximadamente 940 MW. A Espanha e os Estados Unidos possuem respectivamente 51,3% e 46% do total instalado em operação. A Espanha está na vanguarda dos novos investimentos em usinas termoelétricas solares com 28 novas centrais em construção, que terão capacidade instalada de 1.743 MW, correspondentes a 92,5% dos novos empreendimentos.

Como ocorre com todas as fontes de energia renováveis, o desafio da energia solar térmica em larga escala é chegar a um custo de produção competitivo. Atualmente o preço médio por megawatt-hora gerada em uma usina termoelétrica solar é de R$ 290/MWh, contra uma média de R$ 120/MWh nas centrais termoelétricas convencionais e R$ 85/MWh nas usinas hidroelétricas. As usinas termoelétricas solares têm apresentado maior expansão que as usinas solares fotovoltaicas, no que tange à geração de energia elétrica em grande escala, pois apresentam um custo médio de geração de energia40% menor do que a produzida pelas usinas que utilizam painéis fotovoltaicosque têm custo médio de R$ 480/MWh.

Diferentemente das centrais solares com painéis fotovoltaicos que utilizam a luz do sol para produzir diretamente energia elétrica, as usinas termoelétricas solares utilizam o calor dos raios solares, refletidos por painéis parabólicos e concentrados em um ponto específico, para aquecer um fluido, geralmente sal liquefeito, que permanece estocado em reservatórios a alta temperatura. Quando há demanda por energia, o fluido é conduzido até um trocador de calor que gera vapor d’água a alta pressão que move uma turbina, produzindo energia elétrica. O fluido é reaproveitado e, ao longo do dia, o conjunto de espelhos se movimenta para manter o melhor ângulo de captação da luz e do calor do sol.

As usinas termoelétricas solares podem utilizar diferentes tecnologias para concentrar o calor do sol, sendo os painéis parabólicos os mais utilizados nas centrais solares em operação no mundo correspondendo a 95% da capacidade instalada total. Outras tecnologias de usinas termoelétricas solares em operação utilizam torre solar, painéis Fresnel e discos parabólicos.

Em julho de 2009, um consórcio de 13 empresas multinacionais, dentre as quais Deutsche Bank, Siemens, EON, RWE, Abengoa Solar e MAN Solar Millennium, assinaram uma carta de intenções para criar um projeto ambicioso de energia solar denominado Desertec. Esse projeto prevê a construção de um complexo de usinas termoelétricas solares que utilizarão a tecnologia de painéis parabólicos no norte da África, no Deserto do Saara, e no Oriente Médio. O projeto estimado em US$ 555 bilhões prevê linhas de transmissão, sendo que a energia produzida nos empreendimentos será capaz de fornecer aproximadamente 15% da eletricidade consumida na Europa, além de dois terços da necessidade do norte da África e do Oriente Médio. A capacidade instalada das usinas solares poderá totalizar até 100 GW em 2050. O consórcio planeja apresentar os detalhes finais do projeto Desertec com as considerações técnicas e financeiras em 2012.

Embora no Brasil ainda não haja projetos de construção de usinas termoelétricas solares, o país tem enorme potencial. Segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, elaborado em 2006 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a média diária de radiação solar que incide sobre o território brasileiro ao longo de um ano é de 5,5 quilowatts-hora por metro quadrado (kWh/m2), sendo que em regiões como o oeste da Bahia, a média é superior a 6 kWh/m2, índices equivalentes aos do Deserto do Saara. Entretanto, a primeira usina solar do país não será uma termoelétrica, pois utilizará painéis fotovoltaicos. A central solar começou a ser construída em setembro de 2010 no Ceará pela empresa MPX, com investimentos de R$ 10 milhões, sendo que aAgência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já concedeu a outorga para a construção da usina que inicialmente terá potência de 1 MW, mas poderá alcançar 5 MW.

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