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São Paulo

Uma obra de fraturas expostas

por Rodrigo Martins publicado 13/10/2011 16h00, última modificação 14/10/2011 11h07
Casas entregues a desalojados do Rodoanel correm risco de desabamento

A diarista roseli de Oliveira Bonfim, de 39 anos, viu-se obrigada a participar de uma série de audiências públicas e manifestações nos últimos meses. Não porque seja militante de partido ou movimento social. Moradora do Parque de Taipas, na periferia de São Paulo, ela recebeu em março uma notificação para abandonar a sua casa em 72 horas, uma vez que a área foi delimitada para abrigar um parque linear. Ela não acredita, porém, que a intimação tenha relação estrita com a futura área de preservação ambiental. “Esse bafafá só começou depois que surgiu o projeto do Trecho Norte do Rodoanel, que passará bem perto daqui. Ao todo, 186 famílias estão ameaçadas de despejo.”

De acordo com a Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), empresa ligada ao governo paulista e responsável pela obra, o programa de desapropriações para as obras do Trecho Norte ainda não começou. A estimativa é que 2,1 mil imóveis com escritura sejam demolidos para dar espaço ao empreendimento, com 43,86 quilômetros de extensão. Trata-se da última -fase do Rodoa-nel, maior obra viária do estado, que deve atravessar 19 municípios e interligar dez grandes rodovias que chegam à -capital.

Outras 2 mil famílias residentes em favelas ou imóveis com situação fundiária irregular deverão ser indenizadas ou reas-sentadas em unidades habitacionais da CDHU, um investimento estimado em 175 milhões de reais. A Dersa reconhece, contudo, que o número é aproximado, e só poderá ser apresentado com mais exatidão após o governo publicar o decreto que define a área de abrangência das obras.

“A todo instante, eles revisam esse -número para cima. Mas os moradores da região estimam que ao menos 20 mil famílias possam ser removidas, até porque eles não levam em conta o fato de muitas famílias dividirem o mesmo terreno ou imóvel”, afirma Sônia Maria Barbosa, da Associação de Moradores do Conjunto Residencial Paraíso, também em Taipas. “Não somos contra a obra, mas queremos que as autoridades garantam alternativas de moradia adequadas. Não queremos ver a repetição de erros que ocorreram em outras obras, como a do Trecho Oeste.”*

*Leia a íntegra da matéria na edição 668 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 14

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