Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Tragédia no Rio e em SP. Iguais e diferentes

Sociedade

Tragédia

Tragédia no Rio e em SP. Iguais e diferentes

por Conversa Afiada — publicado 13/01/2011 10h11, última modificação 13/01/2011 10h42
Quando o Tupã, o super-computador Craig que o INPE acabou de comprar, estiver a pleno vapor, será possível prever com mais precisão o local da chuva. Por Paulo Henrique Amorim

Por Paulo Henrique Amorim

O Governo do Rio e as prefeituras da região serrana – especialmente de Teresópolis – são responsáveis pelas 271 mortes.

Deixaram que as áreas de risco continuassem ocupadas.

Não montaram um sistema de defesa civil para áreas próximas ao risco, mesmo depois da tragédia de Angra dos Reis.

Nesta semana, menosprezaram o alerta do serviço de meteorologia que previu “chuvas fortes” desde 16h23 de anteontem.

Com o aquecimento da terra, a incidência de “extremos” de precipitação e temperatura (calor ou frio intenso) será mais frequente – e devastadora.

Ao longo da mortífera Serra do Mar – lembrem-se da tragédia de Santa Catarina -, o Brasil tem 500 áreas de risco.

Clique aqui para ler entrevista com o Ministro Aloizio Mercadante: “Cerra não vai poder dizer mais que a culpa é de Deus”.

Quando o Tupã, o super-computador Craig que o INPE acabou de comprar, estiver a pleno vapor, será possível prever com mais precisão o local da chuva – e o que é mais importante: a intensidade da chuva.

Hoje, os prefeitos de Teresópolis, Petrópolis e Friburgo – cidades que em que os prefeitos deixam ocupar áreas de risco desde quando Pedro II subia a serra no verão – hoje, esses prefeitos poderão sempre dizer que a previsão foi imprecisa.

O que são “chuvas fortes” ?

Daqui a um ano, quando o Tupã localizar melhor onde a chuva vai cair – com intervalos de 5 km e não mais 40 ou 20 km, como hoje – será possível também medir, em milímetros, quanto de chuva vai cair.

Quando o mapa das 500 áreas de risco for integrado ao sistema do Tupã, aí, sim, será o caso de botar muito prefeito e governador na cadeia.

A defesa civil de cada cidade terá uma informação precisa sobre onde vai cair a chuva pesada, qual a área de rico mais vulnerável.

Não haverá desculpa esfarrapada, como agora.

Isso é um sonho ?

Não, isso vai acontecer no Brasil, sim.

Como nos Estados Unidos, onde o serviço de meteorologia anuncia os desastres com antecedência suficiente para a população se proteger.

Todo mundo sabia que o Katrina vinha – e com fúria.

Os ricos e brancos puderam fugir.

Morreram os negros de Nova Orleans,  que não tinham como fugir ou para onde ir.

Em São Paulo, a incompetência e irresponsabilidade do governador e dos prefeitos é diferente.

E igual.

E merece cadeia, como no Rio.

O Governador, por exemplo.

Numa agressão ambiental inadmissível numa democracia, Cerra construiu avenidas marginais à cidade que são plataformas de concreto que não deixam a água passar e aumentam a quantidade de água nos rios.

Os rios de São Paulo – Tietê e Pinheiros – estão sujos desde os anos 60 do século passado.

Mas, o governador Cerra, segundo o governador Alckmin, interrompeu a limpeza dos rios.

E não fez piscinões em quantidade.

São necessários 90 piscinões na cidade de São Paulo.

Quantos Cerra construiu ?

Talvez porque piscinão não dê imagem dramática para o horário eleitoral.

Por conta dos piscinões, numa democracia, Cerra dividiria a cela – se o Brasil fosse uma democracia – com o prefeito/poste, Gilberto Kassab.

Vejam o que os dois fizeram às margens do Tietê, na fronteira com o município de Guarulhos.

Na tragédia do ano passado, o PiG (*), o programa Domingo Espetacular da Record e, aqui, este ansioso blog denunciaram a barbaridade que tinha sido cometida no bairro do Jardim Romano, de maioria nordestina.

Clique aqui para ler o que  este blog ansioso falou sobre o Katrina do Cerra: o Jardim Romano e aqui também.

Uma obra irresponsável destruiu o sistema de drenagem da água do rio Tietê.

A água do rio e os esgotos formavam uma bacia que inundou o bairro por meses.

O que fez a dupla Cerra/Kassab ?

Construiu um piscinão no Jardim Romano e um muro, um dique.

Este ano, o jardim Romano está seco e salvo.

E o que aconteceu em volta ?

Uma catástrofe.

A água que não entra mais no Jardim Romano transbordou para a Vila Itaim e Fiorelli.

Os prefeitos de região serrana do Rio e o Governador Sérgio Cabral não dizem que a culpa é de Deus.

É deles.

Também nenhum deles é candidato a Presidente (eternamente).

A culpa é do governador Cerra, do prefeito Kassab, e da jenial presidência da Sabesp, que abriu as comportas em plena chuva e inundou a cidade de Franco da Rocha.

Cerra e Kassab dizem a mesma coisa há 16 anos – e não remediam os “erros de sempre”, como disse uma manchete da Folha (**) – da Folha !

Clique aqui, amigo navegante, para ver que até o PiG de São Paulo culpa o Cerra pela tragédia deste ano.

Não basta o INPE comprar um supercomputador da Crig, o segundo melhor do mundo para previsão do tempo.

(O primeiro é o americano, da IBM.)

Tem que mudar o pessoal embaixo.

registrado em: