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Traficantes invadem área de índios isolados no Acre

por Felipe Milanez publicado 08/08/2011 20h02, última modificação 08/08/2011 20h02
Funcionários da instituição afirmam ter sido surpreendidos por traficantes; ação da PF prendeu um português

Na sexta-feira 5, funcionários da Funai retomaram uma terra indígena onde vivem índios isolados na fronteira do Acre com o Peru. Eles afirmaram ter encontrado um grupo de traficantes peruanos no local no fim de julho. Na sequência, no dia 30, a Polícia Federal tomou a área e prendeu o traficante português Joaquim Fadista.

“Demos uma batida no entorno, os peruanos estão aqui em volta, bem pertinho. Vimos algumas tocaias que observavam a operação“, afirmou via e-mail direto da base Xinane, Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados da Funai.

Fortemente armados, relata Travassos, os traficantes montaram uma série de pontos de observação do posto, que havia sido saqueado durante a ausência da equipe da Funai no local. Em razão do risco sob o qual estavam os funcionários da Funai, o governo do Acre enviou, no domingo 7, em medida de urgência, uma equipe do Bope, a tropa de elite da polícia estadual.

Policiais e funcionários da Funai passaram a fazer buscas na floresta pelos traficantes. Em um dos acampamentos foi encontrada uma mochila. Dentro dela, uma ponta de fleche utilizada pelos índios isolados. O vestígio encontrado pela Funai elavanta suspeitas ainda mais graves, de que pode ter ocorrido um genocídio: “Esses caras fizeram correria (como se chamavam as matanças de indígenas na época dos seringais) de índios isolados”, suspeita Travassos. “Decidimos voltar para cá por conta de acreditarmos que esses caras possam estar realizando um massacre contra eles”.

Estão na base Xinane 5 funcionários da Funai. Além do coordenador, acompanha o experiente sertanista da fundação José Carlos Meirelles, que trabalha há tries décadas junto aos índios isolados no Acre. “O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do terrtório brasileiro por um grupo paramilitar peruano, é algo que mereça atenção”, afirma Meirelles.

Márcio Meira, president da Funai, está se dirigindo ao Acre para acompanhar o desenvolvimento da situação. “É preciso que fique claro a presence do Estado brasileiro na área, através dos funcionários da Funai, que estão garantindo a integridade do território e a segurança dos indígenas”, disse.

Nos últimos anos, funcionários da Funai, encabecados por Meirelles, tem reiteradamente feitos denuncias públicas das ameaças a que estão expostos os índios que vivem em isolamento voluntário na fronteira do Brasil com o Peru. A maior ameaça até então diagnosticada era da atividade madeireira ilegal, em crescente alta no país vizinho, assim como garimpos de ouro. A presença de narcotraficantes, comprovada pelas prisões de Fadista, comprova que o corridor de unidades de preservação está efetivamente sendo utilizado como rota de tráfico, uma ameaça ainda mais grave à sobrevivência destes povos.

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