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(1954-2011)

Sócrates, mais único do que é raro

por Mino Carta publicado 04/12/2011 12h13, última modificação 06/06/2015 18h15
'Aos leitores de CartaCapital, a começar por este que escreve (o diretor Mino Carta), o ex-jogador ministrou aulas da arte praticada como coube a poucos, e antes disso, de vida'
Sócrates

"É um azar, pior para o futebol”, disse Sócrates após a derrota da seleção brasileira para a Itália na Copa do Mundo de 1982. Foto: Jorge Duran/AFP

 

 

Sócrates, grande, impagável companheiro, mais único do que é raro.

Enquanto escrevo, tomo um copo de vinho, ele gostaria de saber, faz tempo escasso, um ou dois meses antes de morrer, tomamos juntos de uma garrafa aberta pela jovem apaixonada mulher, intrépida ao lado dele até o fim.

Vinham em Sócrates, na frente, antes de mais nada, o homem e o cidadão, o ser consciente até a medula, incapaz de evitar as implicações mais profundas da vida, inclusive as imponentes responsabilidades de figura pública. Era sua essência política, no sentido mais abrangente, mais completo. Mais vívido e vivido.

A excepcionalidade do talento no trato da redonda, na visão do jogo, na técnica e na tática, como diria Mario Morais, não se discutem, assumem, porém, uma dimensão além de rara, única, insisto na ideia, porque precedidas pela visão ampla, de longo alcance, da própria existência.

O doutor era também professor, e aos leitores de CartaCapital, a começar por este que escreve, ministrou aulas por muitos anos a fio da arte praticada como coube a poucos, e antes disso, de vida.

Sócrates já me faz falta imensa, e faz a todos nós.

 

Confira as duas últimas colunas de Sócrates para CartaCapital:

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