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Sociedade

Contra a tarifa

Sem repressão da PM, MPL faz ato pacífico em SP

por Renan Truffi publicado 21/01/2015 00h15, última modificação 21/01/2015 02h00
Primeira manifestação fora do centro da cidade, contra o aumento da tarifa, leva pelo menos 5 mil pessoas às ruas
Renan Truffi/Carta Capital
MPL parou avenida Radial Leste em protesto contra a tarifa

MPL parou avenida Radial Leste em protesto contra a tarifa

O Movimento Passe Livre (MPL) realizou, nesta terça-feira 20, seu primeiro grande ato na zona leste de São Paulo. A manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus, metrô e trem aconteceu no bairro do Tatuapé, como parte de uma estratégia do grupo para estimular protestos na periferia da capital paulista. Apesar de um número de manifestantes inferior aos dois primeiros atos deste ano, o movimento levou pelo menos 5 mil pessoas às ruas do bairro. Como a Polícia Militar não reprimiu os participantes desta vez, o protesto terminou de forma pacífica. Apenas depois do encerramento, alguns jovens tentaram pular a catraca da estação Belém, em protesto contra a cobrança da tarifa. A PM chegou a invadir o local, houve corre-corre e a estação foi fechada, mas em seguida tudo foi normalizado.

A manifestação começou na Praça Silvio Romero por volta das 19h. Mas, antes mesmo que o MPL decidisse o trajeto da manifestação em votação, como costuma acontecer antes de cada ato, a PM impôs uma restrição sem justificativa. “O direito à manifestação existe, mas existe um bem maior que é a ordem pública. A Radial Leste não será fechada no sentido bairro”, afirmou o comandante da operação, capitão Ubirajara Storai, sobre a avenida com maior circulação na região.

A ameaça, combinada com a ausência do tradicional cordão policial ao lado dos manifestantes durante a passeata, provocou preocupação nos participantes. O receio era de que a PM estivesse se organizando para reprimir o protesto logo no início. “Como os policiais não estão acompanhado ao lado da passeata, pode ser que estejam se preparando para fazer o cerco”, afirmou o advogado Vinicius Rgério, da organização Observadores Legais, que tem o objetivo de fiscalizar abusos por parte do poder policial.

Neste momento, a PM ainda estimava que apenas 800 pessoas estivessem participando do protesto, enquanto que o MPL já falava em 4 mil manifestantes. Somente mais tarde que a corporação corrigiu a informação e divulgou que 5 mil pessoas estavam presentes nas ruas do Tatuapé. Já o MPL atualizou o número para 8 mil pessoas. Do lado da polícia eram 450 PMs deslocados para a operação e outros 450 como “tropa de reserva”.

Mas só depois de metade da caminhada que os policiais começaram a aparecer entre os manifestantes. Coincidentemente, a ausência da PM se deu principalmente quando o ato passou pelas ruas residenciais do bairro, onde há alguns prédios de classe média alta. Sem os PMs lado a lado, não houve clima de hostilidade com os black blocs durante a maior parte da manifestação. Como combinado com a PM, o MPL levou ato então para a avenida Radial Leste, mas no sentido centro da cidade. Depois de passar pela estação Tatuapé do Metrô, apareceram os primeiros policiais da Tropa de Choque que se posicionaram, para enfim, fazer cordão de proteção dos dois lados dos manifestantes.

Em seguida, o MPL conduziu a passeata para o Viaduto Guadalajara e encerrou a manifestação no Largo São José do Belém. O grupo comemorou bastante o fato de não ter tido violência por parte da PM ou dos black blocs. "É o que a gente esperava para este e outros atos: que fosse pacífico, cheio e bonito. E que tivesse começo, meio e fim. Foi a primeira vez que conseguimos isso", disse Luize Tavares, 18 anos, integrante do grupo,  ao citar que as manifestações anteriores foram dispersadas com bombas e balas de borracha disparadas pela PM. "Desta vez, senti que a gente estava conseguindo negociar. E fizemos o que foi acordado (com a PM). Também acho que as pessoas estão começando a entender o que é o MPL, um movimento contra a tarifa. Todos são contra os 50 centavos", complementou Luize.

Depois que o ato já havia terminado e vários manifestantes tinham se dispersado para ir embora, alguns participantes resolveram pular a catraca do metrô Tatuapé. A Tropa de Choque invadiu a estação e houve corre-corre. A PM chegou a bloquear o acesso às catracas por alguns minutos, mas a situação foi normalizada em seguida. Segundo a Polícia Militar, na confusão, a bilheteria foi depredada. Além disso, a corporação informou que nove pessoas foram levadas para averiguação. O próximo ato do MPL será na sexta-feira, às 17h, no Theatro Municipal, centro da capital paulista.