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Segundo ato contra a Copa em SP tem 230 detidos

por Mariana Melo — publicado 22/02/2014 22h33, última modificação 23/02/2014 14h29
De acordo com a PM, 1,2 mil pessoas se reuniram na praça da República para a manifestação deste sábado 22. Cinco jornalistas foram presos
Mariana Melo

No primeiro protesto em São Paulo depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade, cerca de 230 manifestantes foram detidos no segundo protesto contra a Copa do Mundo deste ano em São Paulo - informações preliminares falavam em 120 presos. A Polícia Militar cercou a praça da República antes do protesto com um grande efetivo. No caminho para a estação Anhangabaú, a PM reprimiu quem protestava com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os manifestantes foram levados a diferentes distritos policiais. Os policiais usavam cassetetes, escudos e bombas de efeito moral, enquanto os manifestantes utilizaram cones e pedaços de pau. Segundo o portal UOL, vidraças dos prédios da região foram quebrados por black blocs. Segundo a PM, sete pessoas  - dois policiais e cinco manifestantes - foram feridos. Ao menos cinco jornalistas foram presos enquanto cobriam a manifestação.

Aproximadamente 1,2 mil pessoas, de acordo com a PM, se reuniram na Praça da República neste sábado 22, para o protesto, que começou por volta das 18h. Na página do evento no Facebook, “Segundo ato contra a Copa”, 13 mil pessoas haviam confirmado presença. Estava marcado para este sábado a estreia da “Tropa do Braço”, constituída de  policiais que utilizariam táticas de jiu-jitsu para conter os manifestantes. O primeiro ato contra a Copa foi realizado 25 de janeiro e teve 128 detidos em São Paulo.

No início, os manifestantes eram, principalmente, de coletivos, movimentos sociais e diretórios acadêmicos de universidades públicas, além da juventude do PSOL e do PSTU. Os cartazes traziam dizeres como “Sem direitos, sem copa” e “Não vai ter copa”, em português e inglês, além de demandas como mais verba para saúde e educação e estatização das universidades privadas e do transporte. Apesar da pluralidade das pautas nesse protesto, não havia o perfil “indignado” ou mesmo o grito “sem partido”, comum nos últimos protestos de junho de 2013.

Segundo a estudante Fernanda Silva, 24 anos, do diretório acadêmico de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, os protestos contrários à Copa são uma continuação do que aconteceu em junho de 2013. “A indignação é com o mau gasto da verba pública.” diz. Rosemeire da Silva, 42 anos, do Fórum Popular da Saúde do Estado de São Paulo, também apontou como principal reivindicação o desvio de prioridade do governo federal. “Nós não somos contra a Copa. O que a gente quer é chamar atenção para a falta de saúde, educação e moradia. Não é contra a Copa, é contra a Fifa e o dinheiro que está sendo mau empregado.”

Repressão. O que mais chama atenção de Luiz Belizer, 72 anos, também do Fórum Popular da Saúde, é que a ação da polícia pouco mudou desde os tempos do regime militar. Preso político em 1969, Belizer diz reconhecer na PM as ações da polícia da ditadura. “A demanda aqui é, também, pela democratização da polícia”, afirma.

Na sexta-feira 21, manifestantes presos no protesto de 25 de janeiro foram intimados a comparecer para prestar depoimento neste sábado, às 16 horas. Alguns viram na intimação uma manobra para tentar retirar e inibir manifestantes do protesto deste sábado.

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