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Direito à cidade

Uso da Paulista para manifestações ou lazer não é problema, dizem hospitais

Argumento utilizado para combater a utilização da via para o lazer ou protestos é derrubado pelos próprios hospitais do entorno
por Ingrid Matuoka publicado 14/07/2015 02h15, última modificação 15/07/2015 14h39
Heloisa Ballarini/ SECOM PMSP
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Cena do domingo em que a avenida Paulista esteve aberta para o lazer da população

É comum a alegação de que a existência de hospitais na região da Avenida Paulista justificaria a proibição de manifestações na via ou sua abertura à população como área de lazer, como ocorreu no domingo 28 de junho. CartaCapital foi ouvir os interessados: nenhum hospital se opôs à abertura da via para lazer ou manifestações e todos disseram ter acessos alternativos para seus prontos-socorros.

A discussão ganhou corpo recentemente, após a experiência da Prefeitura de São Paulo de abrir a Avenida Paulista exclusivamente para ciclistas e pedestres no dia 28 passado, quando São Paulo ganhou mais 2,7 km de ciclovias entre a Praça Oswaldo Cruz e a Avenida Angélica, atravessando toda a extensão da Avenida Paulista

A partir do sucesso da experiência naquela ocasião, a gestão Fernando Haddad (PT) estuda agora abrir a avenida todos os domingos para o lazer – deixando-a fechada para veículos automotores.

Segundo levantamento da prefeitura paulistana, em um raio de 500 metros por toda a extensão da avenida existem 15 hospitais, dos quais três deles não têm pronto-socorro, ou seja, não recebem ambulâncias.

CartaCapital entrou em contato com todos os 15 hospitais. Três não atenderam à reportagem (Hospital 9 de Julho, Instituto do Coração e Oswaldo Cruz). Dentre os demais, nenhum se opôs à medida.

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A ideia da Prefeitura é que a via seja inteiramente aberta para pedestres e bicicletas aos domingos (foto: Leon Rodrigues / SECOM PMSP)

O HCor, IGESP, Emílio Ribas e o Pro Matre Paulista informaram que as mudanças na avenida não têm promovido dificuldades de acesso de suas ambulâncias.

O Hospital e Maternidade SacreCoeur, o São José e o TotalCor afirmaram que as rotas alternativas de acesso ao local funcionam satisfatoriamente nesses dias.

O Hospital Sírio-Libanês também não vê problema algum no eventual fechamento da Paulista. Segundo a entidade, a CET indica outras rotas funcionais sempre que há grandes eventos na avenida.

O Santa Catarina, localizado na própria avenida, informou dispor de acessos alternativos e que a entrada de seu pronto-socorro fica numa rua transversal, a Teixeira da Silva. Propõe apenas que a abertura da Avenida Paulista para o público aconteça entre a Praça do Ciclista e essa rua.

Também foram ouvidos os hospitais Beneficência Portuguesa de São Paulo e Maternidade Santa Joana. Ambos afirmaram utilizar sem problemas os acessos alternativos para pacientes e funcionários em dias em que há muito tráfego ou manifestações na região.

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No domingo em que esteve aberta para a população, a avenida tronou-se um parque (Foto: André Tambucci / Fotos Públicas)

Segundo a Prefeitura, o fechamento da via para carros (e a consequente abertura da Paulista para pedestres e bicicletas) no domingo 28 foi um teste. Na ocasião foi observado baixo impacto no trânsito, com a utilização satisfatória das paralelas Alameda Santos e ruas Cincinato Braga e São Carlos Antônio do Pinhal.

O poder público municipal agora vai encaminhar o pedido ao Ministério Público, e não há ainda uma previsão para que a abertura da Paulista para o lazer aos domingos se torne fixa. No entanto, cai por terra o mito de que o "fechamento" da via para manifestações ou para o uso exclusivo de pedestres e ciclistas aos domingos seja um problema para os hospitais da região.

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Uma multidão de ciclistas foi à avenida para a inauguração, no último dia 28 de junho (foto: Leon Rodrigues / SECOM PMSP)