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Sociedade

Entrevista

"Se um gay procura Deus, quem sou eu para julgar?", diz o papa

por Redação — publicado 29/07/2013 10h59
Ao falar de lobby gay em junho, disse Francisco, ele se referia às chantagens realizadas contra integrantes do Vaticano
Luca Zennaro / AFP

Em sua viagem de volta do Brasil para o Vaticano, realizada na madrugada desta segunda-feira 29, o papa Francisco fez um raro aceno positivo da Igreja Católica para os homossexuais, numa aparente mudança de paradigma diante das posições de seu antecessor, Bento XVI. Enquanto o papa Bento XVI chegou a escrever um documento recomendando que gays não se tornassem padres, Francisco disse que não poderia julgá-los.

As declarações de Francisco foram dadas a bordo do avião que o levou de volta a Roma. Ao contrário de Bento XVI, que respondia apenas a questões pré-selecionadas nessas ocasiões, Francisco aceitou todos os questionamentos, segundo os jornalistas presentes. Ao ser perguntado sobre relatos da mídia italiana de que um de seus principais assessores seria gay e também sobre o que chamou de “lobby gay” em junho, Francisco adotou um tom conciliatório.

“Se alguém é gay e procura por Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?”, questionou o papa. De acordo com os jornalistas a bordo, Francisco afirmou que investigou as alegações de que um assessor era gay e não encontrou qualquer prova.

O papa tentou explicar as declarações a respeito do lobby gay e afirmou haver uma grande diferença entre ser gay e usar informações privadas para pressionar e coagir integrantes do Vaticano. O papa, ainda segundo os jornalistas a bordo do avião, diferenciou “pecados”, no caso o comportamento homossexual, de crimes, como a pedofilia. Francisco afirmou que as condutas criminosas devem ser punidas, enquanto os pecados devem ser perdoados quando a pessoa confessa. “Quando Deus perdoa, ele esquece”, disse.

O chamado “lobby gay” foi, segundo especulações da mídia italiana, um dos motivos que fez Bento XVI renunciar ao cargo de papa, além dos escândalos no Banco do Vaticano.

De acordo com o jornal The Wall Street Journal, Francisco também excluiu a possibilidade de mulheres serem ordenadas na Igreja Católica. Segundo ele, o papa João Paulo II escreveu sobre este tema “definitivamente”. Francisco, entretanto, disse ter a intenção de desenvolver uma “teologia das mulheres”, cujo objetivo seria expandir e aprofundar o papel das mulheres na vida da Igreja Católica.