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São Paulo tem ainda mais carros e motoristas

por Piero Locatelli — publicado 18/09/2014 12h29
Número de moradores com automóveis foi de 52% para 62% em um ano. Apesar disso, a maioria da população apoia investimento em transporte público e 41% são favoráveis ao passe livre
Fernando Stankuns/Flickr
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Número de carros ainda aumenta em São Paulo

Ricos e pobres. Moradores da periferia e do centro. Bacharéis e quem nunca pisou em uma escola. Toda a população da cidade de São Paulo está utilizando mais carros no seu dia a dia. Esta é uma das conclusões da pesquisa feita pela ONG Nossa São Paulo em parceria com o Ibope, divulgada nesta quinta-feira 18. O levantamento mostrou um aumento do uso de automóveis entre todas as faixas de renda, escolaridades e regiões da cidade.

A quantidade de pessoas com carros em casa aumentou de 52%, em 2013, para 62%, em 2014. Destas, 38% utilizam os carros “todos os dias”. A pesquisa foi feita entre os dias 29 de agosto e 3 de setembro com 700 pessoas. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.

Apesar de aumentar o uso do transporte individual, o morador de São Paulo ao menos parece propenso a algumas mudanças neste quadro. Parte deles vê com bons olhos ações do poder público que priorizam o transporte público. Segundo a pesquisa, 26% dos moradores da cidade poderia deixar o carro em casa se tivesse alguma “boa alternativa de transporte”. “Esse termo, ‘uma boa alternativa’, é absolutamente relativo e tem um peso diferente para cada um. Mas o impacto de mudanças seria tremendo. Teríamos mais de dois milhões de paulistanos que deixariam os seus carros em casa,” diz Helio Gastaldi, diretor do Ibope.

De todos os entrevistados, 41% são favoráveis à implementação do passe livre para o transporte público da cidade. Esta era, e é, a principal causa do Movimento Passe Livre (MPL), cujos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus deram início a manifestações maciças que tomaram o País em junho de 2013. Para 64% dos entrevistados, o governo deve dar mais atenção ao transporte público do que ao individual.

Enquanto isso, os paulistanos, independentemente do meio de transporte, continuam a passar uma grande quantidade de tempo se deslocando diariamente. A média entre todos os usuários é de duas horas e quarenta e seis minutos no trânsito, incluindo todos os deslocamentos.

O prefeito Fernando Haddad (PT) e o secretário de transportes estadual, Jurandir Fernandes, se mostraram otimistas. Ambos disseram que São Paulo passa por uma mudança sem precedentes no transporte público. “É só uma questão de equilibrar o jogo a partir de outros modais que sejam sustentáveis,” disse o prefeito, cuja administração tem investido na criação de ciclovias e corredores de ônibus na cidade. Fernandes, por sua vez, disse que São Paulo deve passar por “grandes mudanças” nos próximos cinco anos. “Não existe nada no mundo ocidental que se compare ao esforço conjunto que está sendo feito por estas três esferas [da Federação] em mobilidade”, disse o secretário.