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Romário e Maradona, unidos contra a Conmebol

por Redação — publicado 05/09/2013 15h55, última modificação 05/09/2013 16h25
É possível que da briga saia um movimento moralizador do futebol sul-americano. Mas é bom desconfiar
Mauro Horita/AGIF/AFP
Romário e Maradona

Romário e Maradona durante a rebelião anti-Conmebol em SP

Romário e Maradona no mesmo time. Ao lado de Chilavert, Careca e Enzo Francescoli. O time dos sonhos se reuniu na quarta-feira 4, no Parque São Jorge, sede do Corinthians, para declarar guerra à Confederação Sul-Americana de Futebol, responsável por organizar competições como a Copa Libertadores da América e a Copa América.

A causa parece justa. O grupo dissidente, formado por dirigentes de mais de 20 entidades, argumenta que a Conmebol repassa pouco dinheiro aos clubes. Lança a suspeita, portanto, de que o dinheiro arrecadado para os jogos fique com o comando da entidade. Nas palavras de Romário (PSB-RJ), não existe no futebol entidade mais corrupta do que a Conmebol, nem mesmo a Fifa ou a CBF.

O articulador do movimento é Andres Sanchez, ex-presidente corintiano escanteado da CBF pelo atual mandatário José Maria Marin, um dos alvos do grupo ao lado do uruguaio Eugenio Figueredo, atual presidente da Conmebol, do paraguaio Nicolas Leoz, do argentino Julio Grondona, e de Marco Polo Del Nero, vice da CBF.

“Quem está reivindicando o quê? Para quem? Não tinha nenhum clube brasileiro (no encontro)”, questionou o presidente do Atlético Mineiro, atual campeão da Libertadores, Alexandre Kalil, em entrevista a Folha de S.Paulo. “O Atlético é o único clube classificado para a Libertadores de 2014. E não me chamaram.”

Na verdade, estava presente o representante de um clube brasileiro: o presidente do próprio Corinthians, Mario Gobbi, que deixou a reunião no meio da coletiva – e irritado, sem explicar o porquê.

É possível que da briga saia um movimento moralizador do futebol sul-americano. Mas é bom desconfiar. Sanchez, arquiteto da ginástica para transferir a sede paulistana da Copa do Mundo do Morumbi para Itaquera, está em campanha para assumir o trono da CBF. Romário é deputado federal e, a um ano da eleição, acaba de ganhar um novo palanque. Maradona era treinador da seleção argentina, ex-funcionário, portanto, de Grandona, que hoje chama “mafioso”.

E o uruguaio Francescoli é sócio da Gol TV, que está de olho nas transmissões dos torneios sul-americanos e diz não conseguir furar a patota da Conmebol, apesar de ter feito ofertas de contratos mais vantajosos.

Pela posição dos interessados, cabe questionar se o ataque não servirá para uma revisão tardia da máxima do príncipe de Falconeri, personagem de Tomasi di Lampedusa no livro O Leopardo: "tudo deve mudar para que tudo fique como está".