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Romário contra a Fifa

por Redação Carta Capital — publicado 11/10/2011 16h07, última modificação 11/10/2011 16h14
Enquanto governo adota tom conivente com a entidade, o ex-atacante dispara: 'O Brasil não pode ser escravo da Fifa'

O ex-jogador de futebol Romário, que liderou o ataque do Brasil na Copa do Mundo em 1994, nos Estados Unidos, está à frente de uma nova edição do evento, mas numa posição diferente. Como deputado federal pelo PSB do Rio, ele tomou a dianteira dos ataques à Fifa, a "dona" do Mundial. O pivô da desavença são os direitos de idosos e estudantes de pagar meia-entrada de acordo com as leis brasileiras do consumidor.

Desde a semana passada, quando a presidenta Dilma Rousseff e o ministro do Esporte Orlando Silva se encontraram com secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa) Jêrome Valcke, na Bélgica, para acertar alguns lances importantes para a realização do torneio no Brasil, uma polêmica foi instalada. Orlando Silva foi parciomonioso: “no caso de descontos para estudantes, por exemplo, não há lei federal que trate desse assunto. O que há são leis estaduais. No que diz respeito ao Estatuto do Idoso, que prevê desconto para a população idosa, informamos à Fifa que não seria suspensa a legislação sobre esse tema como não será suspensa a legislação do país em nenhum aspecto".

Valcke, por outro lado, falou que a Fifa reconhece as leis de cada país e trabalha para que sejam mantidas, mas que é “é preciso reconhecer o que se aplica e o que não se aplica a esse evento". "Precisamos reconhecer que a Copa é um evento único”. E completou que a reunião “foi uma chance de dizer que, ou nós trabalhamos juntos, e vai ser uma situação onde todo mundo ganha, ou não trabalhamos juntos e vamos os dois perder, Fifa e o Brasil.”

Em campo como coordenador do Fórum Legislativo da Copa e vice-presidente da Comissão de Turismo e Esportes da Câmara dos Deputados, Romário não teve papas na língua ao falar com os jornalistas na segunda-feira 10, em visita ao Maracanã, que a Fifa poderia arcar com o custo de manutenção de bilhetes com desconto para estudantes e aposentados durante os torneios estimado em  milhões de dólares. E criticou a imposição da entidade: "se a Fifa não é posta em seu devido lugar, em breve terá mais poder do que a nossa presidente", ele disse aos jornalistas.

Em seu Twitter, o ex-jogador mostra ainda mais indignação. "O Brasil precisa acabar com este negócio de se tornar um escravo da Fifa", twittou.

A Fifa também tem pressionado pela aprovação rápida da lei Copa do Mundo, que também abrange a proteção de direitos das marcas, a televisão e a venda de álcool nos estádios. O deputado acredita que a entidade deve respeitar a legislação brasileira durante a Copa do Mundo de 2014 e cobrir os custos procedentes do desconto nas entradas para idosos e estudantes.

"A Fifa vai ter lucro de bilhões e não quer pagar uma conta de 180 milhões de reais?", questionou Romário, enfatizando que a meia-entrada é uma conta que tem de ser paga pela Fifa.

"Lei é lei e tem que ser cumprida. O Brasil tem que parar com esse negócio de ser escravo da Fifa. A soberania do país tem que ser respeitada”, escreveu no microblog.

A lei prevê desconto de 50% na entrada de espetáculos para idosos acima de 60 anos e estudantes e que o descumprimento da lei por parte dos estabelecimentos é passível de multa.

O debate agora segue para o congresso brasileiro que criou, nesta terça-feira 11, a comissão especial para abalisar o porjeto da Lei Geral da Copa 2014. Possíveis modificações no projeto estão sendo discutidas entre o ministro dos Esportes e a Fifa.

A nova comissão especial terá que lidar com as pressões de vários setores. No início de outubro, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou uma carta à presidente Dilma Rousseff, ao ministro dos Esportes, Orlando Silva, e ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A mensagem fez duras críticas ao projeto de Lei Geral da Copa, acusando a proposta de contrariar princípios contidos no Código de Defesa do Consumidor.

Na última sexta-feira 7, a Fifa tornou público um documento no qual elencou nove pontos em que deseja ser soberana durante a Copa. A ideia é que as exigências virem lei. Os nove pontos do documento são: controle de entrada e permanência nos estádios; ingressos; segurança; consumo e comercialização nos estádios; zona de restrição da Fifa; publicidade; proteção aos direitos comerciais da Fifa; nomes dos estádios; e realização de grandes eventos durante o Mundial.

Enquanto isso, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), acredita que o projeto deva ser aprovado ainda neste ano pela Câmara. A expectativa do governo é a de que também seja aprovado pelo Senado até dezembro.

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