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Rivais saem mais rivais da temporada 2011

por Matheus Pichonelli publicado 28/11/2011 12h44, última modificação 06/06/2015 18h15
Para quem não tem nada a perder, resta botar o terror e fechar o ano jogando água no chope de quem pode ser rebaixado ou levantar o caneco. Quem acompanha futebol sabe que não é pouca coisa
torcida

Última rodada do Brasileiro, em que arquirrival terá de matar arquirrival, vai ser tensa até o fim. Foto: iStockphoto

Quem montou a tabela do Campeonato Brasileiro de 2011 acabava de inventar a roda para eliminar os jogos de compadre que fizeram, em anos anteriores, Corinthians e Grêmio entregarem o ouro para o Flamengo (e ferrar o São Paulo e o Inter, em 2009) ou o Palmeiras fazer corpo mole contra Cruzeiro e Fluminense só para não dar o gosto de ver os corintianos campeões na temporada passada.

 

Desta vez, se quiserem fechar o ano molhando os chopes das torcidas alheias, os arquirrivais vão ter que jogar bola, e não se livrar dela, para ficar em paz com a própria torcida. Não deixa de ser um consolo e tanto para quem viu seu time patinar e chegar ao último jogo do ano sem nenhuma conquista própria (na minha terra existe uma expressão bastante impublicável para definir quem sente prazer com as alegrias, ou desfortunas, alheias).

Levando em conta este critério, dá pra dizer que, tirando o América-MG, que já entra em campo rebaixado, e Bahia e Atlético-GO, que vão do nada a lugar nenhum ganhando ou perdendo, todos os outros times terão motivos de sobra para chorar ou rir (muito) uma hora dessas da próxima semana.

Pelas estatísticas, dá para dizer que uma parcela importante da população acordará, na segunda 5, radiante. Corintianos e flamenguistas, que formam as duas maiores torcidas do Brasil, estão bem perto de dividir a mesma alegria – o título, num caso, e a desolação vascaína, no outro; de quebra, os rubro-negros podem selar a temporada com uma vaga para a Libertadores do ano que vem.

Para isso, nos dois casos, vão ter que jogar bola. Justo contra os maiores rivais – e maiores interessados na ruína alheia. No Pacaembu, sua casa na prática, o Corinthians vai precisar só de um empate para encerrar a fatura e afastar a zica que os palmeirenses prometem levar a campo. Palmeiras que, em tese, não tem mais nada a perder no ano. Já gastou sua cota em rodadas anteriores.

O time saiu da penúltima rodada do Brasileiro sem chance de rebaixamento e com vaga assegurada na Sul-Americana (o que não é muito) e com a possibilidade de colocar no currículo de Felipão a responsabilidade direta por três das maiores tristezas da história do arquirrival (as duas eliminações da Libertadores e a muito, muitíssimo improvável, perda do título mais ganho de sua história). Isso sim não seria pouco – e só os que conhecem as dores e angústias das gozações de torcedores rivais sabem o que significa ver alguém chegar emburrado para trabalhar numa segunda-feira de manhã depois de um revés deste tamanho.

Em tese, a disputa oficial do ano fica entre Corinthians e Vasco. Mas é o desempenho contra os maiores rivais que vai definir o futuro de cada time. Com o sistema de confrontos diretos entre arqui-inimigos nas últimas rodadas, a rivalidade entre os clubes fatalmente entrará em campo com ânimos acirrados em 2012 – graças ao trauma provocado pelo esforço adversário em estragar o chope do rival. Já pensou? O Corinthians tropeça na rodada final contra o Palmeiras e Ronaldinho Gaúcho, lá no Rio, resolve marcar, de falta, o gol da vitória corintiana (sic)? Ou, em São Paulo, Valdivia ou Marcos Assunções resolvam presentear os vascaínos enterrando os arquirrivais?

É ódio garantido para as próximas 85 gerações.

Não vai ser menos tensa a situação do Cruzeiro, que na Arena do Jacaré vai precisar jogar o que sabe e o que não sabe para vencer o embalado Atlético-MG e fugir, na última rodada, do rebaixamento. Para um atleticano, que passa a temporada em branco, nada poderia ser mais saboroso do que a chance de jogar a última rosa no caixão azul-celeste.

Por estes lados, pode-se esperar tudo de um arquirrival, menos piedade.

Da mesma forma, os atleticanos (os do Paraná) jamais perdoariam os algozes coxa-brancas caso os rivais selem o destino rubro-negro para a Série B e, de quebra, consigam vaga na Libertadores do ano que vem em plena Arena da Baixada – mas escapar, e tirar os rivais do torneio mais importante de 2012, não teria preço.

No Beira Rio, vai ter gremista rindo à toa caso o time dê sua cota para afastar o Inter na competição sul-americana, que sempre entra para ganhar, num confronto direto que pode amenizar uma temporada medíocre do tricolor gaúcho.

O mesmo espírito de porco (no bom sentido, acreditem) move o já rebaixado Avaí, contra o Figueirense, e os relaxados Santos (dois títulos no ano, um Mundial na cabeça) e Fluminense (já na Libertadores) – que enfrentam São Paulo e Botafogo, respectivamente – na divertida missão de impedir que os rivais de mesmo estado se classifiquem para a principal competição sul-americana.

Na reta final, a rivalidade de décadas é que fará, em 90 minutos, times relaxados e sem objetivos na vida botar o terror ou não em que mais têm a perder neste ano. Quem não quiser ver o circo pegar fogo (por medo ou pavor) tem como opção se esconder debaixo da cama ao longo da tarde ou marcar uma viagem só de ida para algum país que só pretenda transmitir beisebol na televisão.

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