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Pontapé inicial 2

Quase nada pronto

por Socrates — publicado 31/07/2011 10h29, última modificação 31/07/2011 17h25
Rodovias, portos, aeroportos. Tudo ainda está por fazer. O pior é ver o comportamento da triste figura que organiza o evento

Tá bom! Vi alguma coisa dos jogos militares e fiquei em dúvida se todos ali eram ou são militares mesmo. Não estou aqui colocando dúvidas a mais do que aquelas que já as tenho, mas me parece que muitas equipes foram formadas por militares de última hora.

Ou será que muito me engano sobre o País onde nasci e cresci e que culturalmente jamais estimulou, com ênfase, alguém a se tornar militar, a não ser aqueles casos de famílias inteiras de militares. Mas deixa isso para lá, apesar de achar que até a Olimpíada do Rio alguém vai querer comparar a “evolução” no quadro de medalhas dos Jogos Militares com o do outro grande evento, já que dos primeiros jogos em Roma trouxemos uma quantidade irrisória de medalhas e agora tivemos mais de cem.

Para quem não anda muito esperto é um “prato cheio”. Esperto mesmo é, porém, o “dono do Brasil”. Muitos podem ter dó do citado senhor, achando que ele sofre da síndrome do colo irritável, já que joga tanta coisa no ventilador. A despeito da pose de senhorio, ele não tem nem mesmo algum tipo de certidão, se é que ela existe, pois em caso positivo teria de comprar uma das mais graduadas para compensar a sua falta de “modos”, como diria minha avó. Mesmo assim acredito que não adiantaria, pois um lorde ele jamais será, não tem pedigree para isso.

Além do problema com seu trato gastrointestinal duvidoso e de seu cérebro em ruínas, o que mais nos chama a atenção é a tristeza inerente à sua figura. E esse é um bom exemplo para os incautos. Um senhor que passou a vida atrás do dinheiro e do poder, hoje vive escondido de si mesmo. Anda de costas para um futuro imaginário e valoriza quase nada daquilo que possui. Imagino o quão incômodo é para a sua família conviver com esse senhorio e suas falácias, a não ser que seja semelhante, o que seria não só raro com um fato a se tentar entender em profundidade. Conheci alguns seres depressivos, deploráveis e desprezíveis, mas todos têm algo de positivo, algo a se notar. É frustrante quando não o encontramos. E é nessas mãos que apostamos tudo o que nosso país conquistou ou evoluiu nos últimos anos. Temo pelo resultado. Não temos rodovias, ciclovias, portos ou aeroportos para receber o mundo que nos visitará. Tudo está por fazer e a maioria sem tempo hábil para concluir. Pois vejamos nossos portos e aeroportos.

O relatório do Ipea sobre a situação dos aeroportos brasileiros é mais que incisivo: não teremos quase nenhum pronto para a Copa do Mundo, se é que algum chegará a tanto. Algo que não surpreende uma vez que as dificuldades para adequar o País a eventos tão grandiosos já eram esperadas. Quem viaja pelo Brasil e necessita utilizar transporte aéreo sabe a quantas anda a capacidade de nossos aeroportos. Vivem lotados e para piorar, as companhias aéreas possuem pouco compromisso com o consumidor, a ponto de maltratá-los de várias formas.

Outro dia estava em trânsito por Congonhas, em São Paulo-, em direção ao Santos -Dumont, no Rio. Ao desembarcar-, procurei- a companhia aérea para saber se o segundo trecho estava no horário. Fui (des)informado de que não existia nenhuma definição a respeito, mas que em pouco tempo poderia voltar ao guichê para ter a resposta. Fui até o restaurante para um rápido lanche e em meia hora estava de volta, diante da mesma atendente, que reafirmou não ter qualquer certeza. “Tudo bem. Aguardarei na sala de embarque, eu pensei-.” Qual não foi a minha surpresa quando ao passar pelo controle de bagagem escutei aquilo que seria a última chamada para o meu voo. Que maravilha! Quem deveria possuir todas as informações não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo. Diante disso, pergunto-me: será que um chinês que estiver no Brasil conseguirá sair de Manaus e ir a Salvador em três dias? Não aposto um centavo nisso.

Agora mesmo um dos principais aeroportos do País permanecerá fechado para pousos e decolagens por um largo tempo somente “para que não haja interferência na transmissão de um evento da Fifa na Marina da Glória”. Marina que ganhou novo “dono” por culpa dos eventos. O Rio de Janeiro, que há muito se encontra em pé de guerra, deve acelerar o processo de militarização de vários dos seus bairros para que não haja incômodos aos “ilustres’ visitantes. Estou para ver as melhorias, na infraestrutura urbana, andarem na velocidade necessária, caso existam. O trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio nem mesmo saiu da ideia de poucos. A melhoria na qualidade dos nossos recursos humanos é impraticável em tão pouco tempo.

Enfim, não temos quase nada.