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"Justiçamento"

PSOL vai ao Ministério Público contra âncora do SBT

Rachel Sheherazade saiu em defesa dos criminosos que espancaram garoto em poste no Rio,o que o partido considerou "apologia à tortura"; Federação dos Jornalistas também condenou
por Redação — publicado 06/02/2014 09h42, última modificação 07/02/2014 11h02
Rachel Sheherazade

A apresentadora do SBT Rachel Sheherazade

O deputado federal Ivan Valente, do PSOL, anunciou pelo Twitter que o seu partido irá encaminhar ao Ministério Público uma representação contra o SBT e a jornalista Rachel Sheherazade por apologia à tortura e ao “justiçamento”. A decisão foi tomada após a apresentadora da emissora defender a ação dos criminosos que espancaram e amarraram a um poste um garoto suspeito de praticar furtos em uma área do centro do Rio.

Em depoimento à polícia, o garoto disse ter sido agredido por cerca de 15 pessoas. Ele foi espancado e teve parte da orelha cortada por golpes de capacete. Em sua programa, Sheherazade disse que a ação dos “justiceiros” era compreensível diante da insegurança das ruas e a ausência do Estado e mandou um recado aos grupos defensores dos direitos humanos: “Faça um favor ao Brasil. Leve um bandido para casa”.

Para Ivan Valente, “esta espécie de fascismo televisivo que prolifera pelas tevês precisa de um freio que passa pela democratização da mídia e pelo controle social”. Ele escreveu: “A mesma jornalista Rachel que apoia o linchamento de jovem negro e pobre defende as estripulias do astro (Justin) Bieber como coisa de adolescente”.

Ele comparava o tom da apresentadora ao comentar os casos dos dois garotos: um, suspeito de cometer roubos, outro, das agressões protagonizadas pelo astro pop, minimizadas por ela como algo comum à idade.

Repúdio dos jornalistas

A atitude da apresentadora foi alvo também de uma nota de repúdio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética da entidade. "O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de 04/02/2014. Sheherazade violou os direitos humanos, o Estatuto da Criança e do Adolescente e fez apologia à violência quando afirmou achar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível” — Ela se referia ao grupo de rapazes que, em 31/01/2014, prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste, espancou-o, filmou-o e divulgou as imagens na internet"

Na nota, o sindicato pede à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, "que ocorrem de forma rotineira em programas de radiodifusão no nosso país". "É preciso lembrar que os canais de rádio e tevê não são propriedade privada, mas concessões públicas que não podem funcionar à revelia das leis e da Declaração Universal dos Direitos Humanos".

A entidade lembra que o Código de Ética da profissão não permite "usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime".

Em nota à imprensa, o SBT afirmou que "a opinião é de total responsabilidade da jornalista e comentarista". "A emissora respeita a liberdade de expressão de seus comentaristas, porém ressalta que a opinião é da mesma, e não do SBT."

Grupo é identificado. Os acusados de praticar a agressão, conhecidos como "Justiceiros do Flamengo", foram presos na madrugada de terça-feira 5 e encaminhados a uma delegacia do Catete. Os suspeitos maiores de 18 anos foram autuados por formação de quadrilha e corrupção de menores; os adolescentes que fazem parte do grupo foram enquadrados por formação de quadrilha. Eles pagaram fiança e foram liberados. Segundo moradores, o grupo vem atuando no bairro desde o ano passado. Eles agridem e torturam pessoas que julgam suspeitas, de acordo com o jornal O Dia.

 

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