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Manifestações

Protestos se espalham e paralisam estradas federais

por Redação — publicado 11/07/2013 13h48
No Dia Nacional de Luta, organizado por centrais sindicais, sem-terra, motoboys, motoristas e carteiros foram às ruas
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Mobilização

Funcionários dos Correios no estado do Rio de Janeiro estão em greve desde a 0 hora de quinta-feira 11

Vinte e cinco pontos de estradas federais foram interditados durante os protestos organizados pelas centrais sindicais e outros movimentos sociais pelo País, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

As principais reivindicações dos trabalhadores, no Dia Nacional de Luta, são o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários, a aceleração da reforma agrária e pela aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação e de 10% do Orçamento Geral da União para a saúde. Organizações sindicais e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizam o ato.

O estado onde há mais bloqueios é o Rio Grande do Sul, com 11 interrupções. A BR-116 foi a mais afetada. Em São Lourenço do Sul, no quilômetro (km) 465 da BR-116, um grupo com mais de 100 pessoas iniciaram bloqueio total da pista às 10 horas com cerca de 60 máquinas agrícolas. Em Sapucaia do Sul, no km 252, manifestantes iniciaram de madrugada bloqueio da via queimando pneus e deixando as pistas central e lateral no sentido do interior para capital totalmente fechadas até as 9 horas.

No km 262, na altura de Canoas, a pista foi totalmente bloqueada nos dois sentidos desde as 6h30 e foi liberada às 9h30. Em Caxias do Sul, nos quilômetros 144, 146 e 151, as vias ainda não foram liberadas pelos manifestantes.

Em Pinheiro Machado, no km 108 da BR-293, cerca de 40 pessoas bloqueiam a rodovia. Cinquenta manifestantes interditam a pista no km 2 da BR-392, na altura de Rio Grande. Em Capão do Leão, no km 15 da BR- 293, 100 manifestantes fizeram o bloqueio total da rodovia.

Em Erechim, nos quilômetros 44 e 49 da BR-153, às 10h, manifestantes iniciaram o bloqueio total da rodovia com aproximadamente 300 manifestantes nos dois pontos de bloqueio. Em São Borja, no km 676 da BR-285, junto à Ponte Internacional da Integração, o bloqueio total por cerca de 50 manifestantes foi iniciado às 7h30.

Em Porto Alegre, no km 98 da BR- 290, no vão móvel da ponte sobre o Rio Guaíba, cerca de 70 manifestantes interditaram a pista até as 10h, segundo a PRF. Em Eldorado do Sul, no km 111 da BR-290, integrantes do MST liberaram as cancelas do pedágio da Concepa – concessionária de rodovias no Rio Grande do Sul - para todos os veículos.

Ainda na capital gaúcha, mesmo com a determinação da Justiça do Trabalho, segundo a qual os ônibus deveriam circular com 50% da frota nos horários de pico - das 6h às 9h e das 16h30 às 19h30 - e 30% nos demais horários, não havia linhas de ônibus operando na capital gaúcha. Segundo informações da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), nenhum dos 1.072 coletivos que atendem a cidade deixou as garagens por causa dos bloqueios feitos por manifestantes, que se posicionam diante dos portões desde a madrugada. A Justiça fixou multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento da medida.

Por causa da mobilização, que faz parte do Dia Nacional de Luta, convocado por centrais sindicais, apenas lotações circulam parcialmente na cidade, de acordo com a EPTC. O preço desse tipo de transporte em Porto Alegre - R$4,20- é quase o dobro do cobrado nas passagens de ônibus - R$2,80. A empresa informou que, para compensar a falta de ônibus, os passageiros foram liberados para viajar em pé nas lotações.

Os trens que fazem o transporte de passageiros pela região metropolitana também estão parados. De acordo com a assessoria de imprensa da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho previa que os vagões circulariam nos horários de pico - das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 20h30. Em razão de depredações provocadas por manifestantes, a interrupção do serviço foi antecipada em uma hora e a última viagem na manhã de hoje ocorreu às 7h30.

Segundo a empresa, manifestantes lançaram pedras contra vagões e invadiram os trilhos próximos à estação de Mathias Velho, em Canoas. Ninguém ficou ferido e o serviço deve ser retomado às 17h30, conforme previsto no acordo.

A prefeitura de Porto Alegre informou que os serviços de urgência e emergência funcionam normalmente e que dentre as 144 unidades de atenção primária em saúde - postos, unidades básicas e de Saúde da Família - 48 não estão atendendo. A maioria das escolas municipais está fechada e nas que estão abertas há apenas o funcionamento da secretaria e da direção. Parte do comércio não abriu as portas nesta quinta-feira e muitas lojas, principalmente em ruas da região central da capital gaúcha, estão fechadas.

As ruas da cidade têm pouco movimento, já que muitos gaúchos preferiram não sair de casa por causa dos protestos. Com isso, o trânsito flui bem nas principais avenidas da cidade, que têm movimentação abaixo do normal. De acordo com a prefeitura, foram registrados, no fim da manhã, bloqueios no Túnel da Conceição, na Ponte do Guaíba - com aberturas temporárias - e nas avenidas Farrapos, Estação Cairú e Assis Brasil e, ainda, no Viaduto Obirici.

Na Região Nordeste, há interdições na Paraíba, próximo a Cajazeiras, na BR-230, km 504; em Sergipe, no município de Japaratuba, na BR-101, km 47; no Piauí, em Altos, na BR-343, nos km 313 e 324 – próximo a Teresina. No Ceará, o trânsito também está suspenso próximo a Sobral, na BR-222, km 221.

Em Pernambuco, onde foram bloqueadas as vias de acesso ao Porto de Suape no início da manhã, foram liberados os bloqueios em São Caetano, município próximo a Caruaru, e em Belém do São Francisco, a 486 km do Recife. Permanecem interditados os km 94 da BR-428, próximo à Santa Maria da Boa Vista; o km 44, da BR-116, próximo a Salgueiro; e o km 95, da BR-104, próximo a Agrestina.

No Sudeste, a PRF informou que foram bloqueadas as BR-116, km 125, próximo a Caçapava (SP), e o começo da BR-262, no município de Cariacica (ES). No Rio de Janeiromanifestantes bloquearam, no início da manhã, uma ponte entre os municípios de Rio das Ostras e Macaé, no norte fluminense. A manifestação na capital fluminense foi marcada por pequenas manifestações divididas por categorias que se mobilizam para aderir ao protesto convocado para as 15 horas, na Candelária. O Sindicato dos Petroleiros (SindiPetro) se concentrou antes das 9 horas da manhã em frente ao edifício-sede da Petrobras, na Avenida Chile, e caminhou para a Avenida Graça Aranha, também no centro, onde há outro prédio da estatal.

Os médicos também fizeram uma manifestação no centro, convocada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremerj), pedindo a valorização da categoria e a aplicação de um valor correspondente a 10% do PIB na saúde pública. Os profissionais também exigem que os planos de saúde paguem o valor mínimo de R$ 70 por consulta, com reajustes anuais.

O maior protesto começou por volta das 10h, convocado pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), e reúne mais de 120 pessoas na Cinelândia. O Sepe convocou paralisação de um dia em todas as escolas públicas do estado e pede piso salarial para os professores de cinco salários mínimos e de 3,5 salários para o funcionário administrativo, além de eleição para diretor de escola, autonomia pedagógica das escolas, implementação de planos de carreira unificados, entre outras.

Os profissionais da educação e da saúde devem se reunir por volta das 13h30 no Paço Imperial, de onde também partirão para a o protesto na Candelária, que poderá seguir para a Cinelândia, fechando a Avenida Rio Branco, às 17h. Algumas agências bancárias na via e na Avenida Presidente Vargas amanheceram fechadas por manifestantes e lojistas protegeram estabelecimentos com tapumes, com medo de depredações durante o protesto.

Funcionários dos Correios no estado do Rio também se mobilizaram. Eles estão em greve desde a 0 hora. A paralisação de 24 horas atinge o Centro de Operações Postais da estatal, em Benfica, na zona norte do Rio, onde representantes do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios impedem a entrada e saída de caminhões. O depósito é responsável pelo despacho de mais de 80% das correspondências de todo o estado.

Em São Paulo, a Via Anchieta ficou totalmente bloqueada por manifestantes em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, na altura do km 20, sentido capital, e do km 15, sentido litoral.

Na capital, cerca de mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram de uma manifestação organizada pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo, na Rua 25 de Março, principal polo de comércio popular da metrópole. Os manifestantes seguiram em passeata em direção à Avenida Paulista, onde está programado um ato conjunto das centrais sindicais pelo Dia Nacional de Luta.

De acordo com o presidente do sindicato, Ricardo Patah, o dia será marcado por protestos e reflexão. "O protesto na Rua 25 de Março representa muito, porque é o lugar onde mais se vende e ao mesmo tempo onde há o maior índice de informalidade e precariedade, altas jornadas de trabalho e violações nos direitos dos trabalhadores”, disse.

Além das reivindicações gerais do Dia Nacional de Luta, os comerciários reivindicam o fim da informalidade e redução da jornada de trabalho, que atualmente chega a 52 horas semanais, para 40 horas sem redução dos salários. “Foi graças ao consumo e ao trabalho do comércio que conseguimos ajudar a segurar a crise [desde 2008]”, ressaltou Patah.

Manifestantes e sindicatos saíram às ruas também em várias cidades de Minas Gerais. De acordo com a Central Sindical e Popular (Conlutas) vários setores, como o de metalurgia, de construção civil e o rodoviário estão parcialmente paralisados em cidades do interior do estado. Centenas de pessoas ocuparam a Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, pela manhã, e percorrem ruas do entorno, deixando o trânsito congestionado na região.

A capital mineira amanheceu sem metrô, que atende diariamente a mais de 200 mil pessoas, segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que 50% das viagens de metrô devem ser mantidas nos horários de pico, mas nenhum trem está funcionando. A CBTU informou que os ônibus da cidade estão funcionando normalmente, mas algumas linhas não funcionaram no início da manhã. Algumas escolas não abriram, mas bancos e comércio funcionam normalmente na capital mineira.

Para pressionar o Congresso Nacional e o governo federal a aprovar medidas que beneficiam os trabalhadores, as centrais sindicais paralisam a região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. As três pontes e as duas rodovias que dão acesso à capital estão bloqueadas por manifestantes. Os rodoviários aderiram ao protesto e os ônibus não saíram das garagens.

Cerca de 600 motoboys, segundo a Polícia Militar, fazem neste momento um protesto pelas ruas da capital paulista. A categoria, filiada à União Geral dos Trabalhadores (UGT), participa do Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais. Os motoboys saíram em comboio, por volta das 10h, da Avenida Dr. Eurico Rangel, no Brooklin Novo, na zona sul.

As rodovias federais na Região Centro-Oeste estão, em boa parte, liberadas. Há registro de bloqueio pela PRF na BR-163, próximo a Sorriso, a cerca de 400 km de Cuiabá, em Mato Grosso. Entre Goiás e o Distrito Federal, houve manifestação próximo ao Trevo de Flores de Goiás, encerrada por volta das 9h30. O trânsito volta ao normal com lentidão. No Distrito Federal, no momento, a PRF não registra quaisquer bloqueios em rodovias federais, mas manifestantes se aglomeram na Esplanada dos Ministérios.

Em Brasília, o MST ocupou a sede nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília. Segundo os organizadores do ato, o objetivo da mobilização é exigir a retomada da reforma agrária pelo governo no país.

Eles também alegam que a reforma está praticamente paralisada em todo o país devido a questões burocráticas. Para o MST, é preciso assentar 150 mil famílias acampadas, com a concessão de novo crédito.

Segundo os organizadores, outra ação do movimento ocorre com o bloqueio da BR-020, no quilômetro 103, próximo ao município goiano de Vila Boa, desde as 6h. As ações fazem parte da jornada de mobilizações das centrais sindicais, organizações políticas e movimentos da classe trabalhadora que tomarão as ruas do país neste 11 de julho. Em Brasília, o MST também participará da Marcha Unificada da Classe Trabalhadora, marcada para as 15 horas na Esplanada dos Ministérios.

 

 

Com informações da Agência Brasil