tamanho da fonte minímo médio máximo

Sociedade

Blog da Raquel Rolnik

Meio Ambiente

19.05.2011 11:46

Proibição das sacolinhas plásticas: o que não está sendo dito pela mídia

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na terça-feira 17 um substitutivo ao Projeto de Lei 496/2007 que proíbe a distribuição e venda de sacolas plásticas em toda a capital paulista.  O projeto segue agora para sanção do prefeito Gilberto Kassab.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que esse é um debate, de fato, relevante. Em muitos países do mundo, essa proibição já existe há vários anos. A discussão parte de constatações relacionadas ao impacto ambiental da produção do plástico – o longo tempo para a sua degradação na natureza -, o impacto que as sacolinhas causam em períodos de enchente etc.

Mas algumas questões parece que não estão sendo ditas no debate que vem sendo feito na imprensa. A primeira versão do PL obrigava a substituição das sacolinhas de plástico por congêneres biodegradáveis: ou seja, diminuía o mercado dos produtores de sacolas plásticas e aumentava o mercado dos produtores de sacolas biodegradáveis, mas sem levar em consideração os impactos ambientais que estas últimas também geram.

No fim das contas, substituiríamos um produto por outro, mas sem tocar no tema dos limites para o planeta de uma produção infinita de produtos, biodegradáveis ou não. Afinal, toneladas de biodegradáveis também degradam o meio ambiente.

Na nova versão do projeto, que foi aprovada ontem, todos os estabelecimentos comerciais são proibidos de distribuir e vender sacolas plásticas de qualquer tipo aos consumidores para acondicionamento e transporte de mercadorias. Tais estabelecimentos devem estimular seus clientes a usar sacolas reutilizáveis.

Além disso, a Lei aprovada exclui da proibição as embalagens plásticas originais das mercadorias, e as utilizadas para venda de produtos a granel ou que vertam água. Assim, continuam as embalagens plásticas.

O trecho mais curioso, no entanto, é o Artigo 5º, que  proíbe que fabricantes de sacolas plásticas insiram rótulos como “degradável”, “biodegradável”, “oxidegradável” e “oxibiodegradável”. Esse artigo é estranhíssimo. Significa que hoje os fabricantes de sacolas plásticas inserem essas terminologias de má fé? Que na verdade tais produtos não são o que indicam seus rótulos?

Diante dessas questões, fica a pergunta: estamos discutindo a indústria do degradável versus a indústria do biodegradável? Trata-se de uma guerra de mercados? Uma discussão que se pretende de sustentabilidade do planeta transformou-se numa guerra entre fabricantes de sacola X e fabricantes de sacola Y?

Se for isso, estamos desperdiçando uma oportunidade de avançar na discussão sobre a necessidade das embalagens, seus impactos ambientais, e também sobre o nível de consumo da nossa sociedade.

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Paulo Stuckenbruck disse:
    Concordo plenamente. Precisamos apresertar argumentos solidos como estes para evitar que informacoes distorcidas sejam usadas pra convencer a populacao de que usar essas sacolinhas ditas "degradaveis" estamos resolvendo um problema grave ambiental. Parabens.
  2. Paulo Stuckenbruck disse:
    Esta decisão de proibir a distribuição gratuita de sacolas de plásticos é radical e com certeza não vai surtir o efeito final esperado. Por mais que o discurso ambiental pareça justificar esta lei, que existe em Belo Horizonte desde o ano passado e agora em 2012 no estado de São Paulo, para que haja benefícios de fato ao meio ambiente seria preciso outras ações complementares, que não foram e certamente não serão tomadas. Assim, apresento apenas 3 questões básicas que precisamos conhecer: primeiro, as ditas sacolas "biodegradáveis" não vão resolver o problema de entupimento das redes pluviais e nem vão se degradar nos aterros nas condições normais que são. Segundo, os saquinhos de supermercado que eram usados nos lixinhos em casa deixaram de existir, mas os grandes sacos de lixo continuam a existir e não foram proibidos, logo, o impacto ambiental noas aterros sanitários continuam da mesma forma. Terceiro, os supermercados foram os mais beneficiados com esta lei pois deixaram de ter custos com as salocas e passaram a ter receita com a venda das ditas "biodegradáveis". Suspeito até que esta lei tenha sido fruto de um "lobby" dos supermercados junto aos legisladores. Se os supermercados tivessem de fato comprometidos com a questão ambiental, teriam substituido as sacolas de plástico por sacolas de papel adequadas, e gratuitamente, como existe nos Estados Unidos e outros países. Isto não foi feito e simplesmente deixam o problema para o cosumidor resolver jogando a culpa na legislação. Isto é uma falta de respeito com os clientes e sugiro que nós, consumidores, boicotemos todos esses supermercados oportunidas, tentando, na medida do possível, privilegiar aquele comerciante que busque alternativas para encontrar soluções para o cliente que não seja apenas vender as ditas sacolinhas "biodegradáveis". SACOLAS DE PAPEL é a solução. Os supermercados éticos e não oportunitas poderiam absorver facilmente esse custo adicional, que poderia ainda ser minimizado ou compensado por meio de propagandas impressas nas sacolas de papel.
23mai

A greve no metrô e o pensamento utilitarista

Assisti na tevê o caos, mas encontrei no metrô funcionários dispostos a amenizar os transtornos de um sacrifício necessário

23mai

Nurembeg não investigou a resitência aos nazistas

A resistência armada e a desobediência a um regime ditatorial é atitude legítima, em especial com relação a um Estado terrorista

22mai

PEC do trabalho escravo é aprovada; ruralistas querem mudanças no Senado

Propriedades que mantêm trabalho escravo serão desapropriadas; Frente Parlamentar da Agropecuária foi contra o projeto por entender que há distorções

22mai

Sobre meninos e lobos

O Brasil de Xuxa é o mesmo do jovem açoitado pela tevê na Bahia