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Classe AB

Privilegiados. E incógnitos

por Rodrigo Martins e Willian Vieira — publicado 31/08/2011 15h30, última modificação 02/09/2011 11h54
A classe alta cresceu 54% em oito anos, mas é pouco conhecida. E o País não sabe interpretá-la

Um jato executivo Phenon 300 da Embraer foi vendido, no mês passado, para um endereço bem específico. Não era um hangar comum ou o pátio de um magnata, mas o Prime Fraction Club, clube de bens de luxo fracionados no qual duas- ou mais pessoas dividem a posse de um jato, helicóptero, barco ou carro de luxo. “O perfil do nosso usuário é o cara que galgou a pirâmide social, já comprou o carro esportivo, a segunda casa de praia e quer agora um novo brinquedo”, diz Walterson Carvajal, ex-executivo da Varig que gerencia os mimos.

A fração de um helicóptero é comprada por 120 mil dólares, mais a mensalidade de 14 mil reais. A do jato custa 1,5 milhão. “Mas não falta gente com fortunas inesperadas, como o dono de uma cadeia de 12 lojas no interior de São Paulo de quem nunca ouvi falar, mas que tem duas mansões em Angra dos Reis e precisa de um helicóptero.” Não é para qualquer milionário. Um milhão de dólares é pouco. “Mas uns 5 milhões já dá para começar”, diz Carvajal, que tem mais de 30 usuários no clube e agora forma grupos para um pool de carros de luxo, como o duo Ferrari e Maserati. Pela bagatela de meio milhão de reais, quatro pessoas podem ter acesso aos dois, algumas horas por semana. “Ninguém precisa ir trabalhar de Ferrari.” Ele projeta crescimento de “no mínimo” 100% ao ano na próxima década.

Em um país acostumado com a desigualdade, os ricos continuam a ter muito mais que os pobres. A novidade é que nunca houve tanta gente rica no Brasil. O País ganhou 23 novos milionários por dia no ano passado, segundo dados das consultorias Capgemini e Merril Lynch,- alcançando o número de 155,4 mil pessoas com 1 milhão de dólares na conta. De acordo com um estudo da Economist Inteligent Unit, teremos, em 2017, 675 mil milionários, à frente dos demais países emergentes. Outro dado que confirma a tendência e causou frenesi foi o número de bilionários na lista anual da Forbes, com 1.210 nomes. O time do Brasil saltou de 18 integrantes, em 2010, para 30 neste ano – nomes “emergentes” como André Esteves uniram-se aos tradicionais Antonio Ermírio de Moraes, Abilio Diniz e a família Moreira Salles.

O fenômeno, porém, não tem o mesmo destaque que o avanço da classe C. Entre 2003 e maio de 2011, a classe média cresceu 46,6%, com a inclusão de mais de 39,6 milhões de brasileiros que deixaram a pobreza, como revelam estudos da Fundação Getulio Vargas. Mas, em termos porcentuais, as classes A e B (com rendimento superior a 5.144 reais) tiveram expansão ainda maior: 54,7%. São mais de 9,2 milhões de brasileiros que enriqueceram no período. Em maio deste ano, as classes A e B somavam 22,5 milhões de indivíduos (gráfico à pág. 31). “A expectativa é de que elas devem incluir 31 milhões de habitantes até 2014, num crescimento projetado de 50,3%”, diz o economista Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV. “Muitos estão de olho na nova classe média e não se deram conta de que também está surgindo uma nova elite, com bagagem e aspirações muito distintas dos ricos do passado.”*

*Leia a íntegra da matéria na edição 662 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 2

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