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Prédio onde funcionou DOI-Codi de São Paulo é tombado

por Redação — publicado 28/01/2014 13h02, última modificação 28/01/2014 13h41
Considerado um dos maiores centros do tortura do regime militar, número 921 da Rua Tutoia foi palco de prisão de 5.000 pessoas, das quais 50 foram assassinadas
Veronica Manevy
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Instalações abandonadas no antigo prédio do DOI-Codi, em São Paulo

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão estadual de preservação, aprovou na segunda-feira 27 por unanimidade o tombamento do prédio que abrigou o DOI-Codi de São Paulo.

O tombamento do prédio do DOI-Codi de São Paulo, localizado no número 921 da Rua Tutóia, na zona sul, tem como objetivo a transformação do espaço em local de memória. Em novembro de 2013, membros da Comissão da Verdade de São Paulo se juntaram a ex-presos políticos e militantes dos direitos humanos para reiterar a solicitação junto aos secretários de Segurança Pública, Fernando Grella e de Cultura, Marcelo Araújo.

Presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, o deputado estadual Adriano Diogo (PT), disse que aguarda ainda a revogação do decreto de 1979, do então governador Paulo Maluf, na qual o Estado cede ao II Exército a propriedade sobre o terreno onde ficava o DOI-Codi. “Não é admissível uma delegacia de polícia funcionar num prédio que abrigou o DOI-Codi. É como se uma usina de gás alemã funcionasse até hoje em um campo de concentração”, destacou o ex-preso político que foi torturado no DOI-Codi em março de 1973 e defende que o próximo passo seja a retirada do 36º Distrito Policial do terreno.

Considerado um dos maiores centros de tortura do País, o DOI-Codi de São Paulo foi palco de tortura e prisão de cerca de 5.000 pessoas, das quais 50 foram assassinadas ali. O local hoje mantém o 36º Distrito Policial e abriga também um depósito e uma garagem da Polícia Civil. O complexo é composto por um pátio, antiga entrada dos presos, na rua Thomas Carvalhal, onde hoje há uma estrutura nova, e outros dois prédios com entrada pela Tutóia – um praticamente abandonado e um outro reformado onde funciona o DP. Neste, onde antigamente ficavam as celas femininas, foi feita uma reforma para hoje funcionar como Departamento de Polícia Judiciária da Capital, da 2ª Delegacia Seccional da Polícia.

Logo em frente, a estrutura que abrigava as salas de interrogatório e de tortura ainda é mantida nos padrões da época, mas completamente vazia. Nos três andares do prédio não fica difícil imaginar o horror que as paredes cinzas e hoje descascadas abrigaram um dia, assim como a dor de rostos desfigurados e corpos ensanguentados, que costumavam ser arrastados pelos três lances de escada até o pátio para apavorar quem se negasse a “colaborar” com informações sobre militantes de esquerda. Do prédio, dizem funcionários, vultos e gritos são ouvidos com frequência e explicam, talvez, o fato de o vazio e a ação do tempo imperarem onde funcionou o centro de tortura.

A sigla DOI-Codi indica o nome do órgão Destacamento de Operações de Informação (DOI) do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi), centro coordenador da repressão política durante a ditadura.

A conquista do tombamento para Ivan Seixas, coordenador da Comissão Estadual da Verdade, tem significados profundos. Ele tinha apenas 16 anos quando esteve preso ali e assistiu à morte do seu pai Joaquim Alencar de Seixas no segundo dia da sessão de tortura na noite do dia 17 de abril 1971.

O pedido para tombamento do prédio foi feito em 2010 por Seixas, também integrante do Conselho de Defesa da Pessoa Humana (Condepe). A solicitação tem apoio de diversas entidades de direitos humanos e de vítimas, como o Núcleo Memória, além das comissões – enquanto a estadual pede que seja criado um Centro de Luta contra a Tortura, a municipal sugere um Memorial dos Desaparecidos.

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