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São Paulo

Polícia Militar dispersa manifestantes contra a Copa

por Piero Locatelli — publicado 12/06/2014 15h18, última modificação 12/06/2014 15h37
Protesto foi impedido de tomar corpo antes do seu início; jornalistas e manifestantes ficaram feridos
Yghor Boy/CartaCapital
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Protesto na zona leste de São Paulo no primeiro dia de Copa

O décimo protesto contra a Copa do Mundo, o primeiro em São Paulo durante sua realização, estava marcado para as 10 horas da manhã desta quinta-feira, 12, na Vila Carrão, zona leste da cidade. Cinco minutos depois do horário combinado, a maioria dos manifestantes ainda não havia chegado, mas a Tropa de Choque já atirava bombas de gás lacrimogêneo sobre as poucas dezenas que ali se concentravam.

A Polícia Militar não deixou o protesto ganhar corpo. Na estação de metrô, passageiros eram escolhidos aleatoriamente para revista. Muitos ficaram dentro da estação, receosos de chegar até o local. Próximo dali, ruas foram trancadas pelo Choque e pela Força Tática da polícia.

Ao menos 24 manifestantes foram feridos nas várias incursões da polícia sobre os manifestantes, segundo o Grupo de Apoio ao Protesto Popular. Entre eles, estavam dois jornalistas estrangeiros: uma repórter da tevê norte-americana CNN e um do argentino ABD. Em ambos os casos, manifestantes isolaram o local onde eles estavam e os levaram para longe do confronto.

Os conflitos começaram ao lado da estação. Após a dispersão motivada pela ação da polícia, a movimentação continuou a quatro quadras, próximo à sede do Sindicatos dos Metroviários. O sindicato havia chamado um ato pela readmissão de funcionários demitidos pelo governo do estado devido à greve da última semana.

Com a chegada dos manifestantes contra a Copa, alguns deles adeptos da tática black bloc, os metroviários pediam calma de cima do carro do som. “Por favor, vamos lembrar que nosso ato é pacífico. Temos todo respeito aos moradores da região,” dizia um sindicalista.

Ao lado dali, uma esquina foi trancada com três barricadas. De todos os lados, a polícia estava posicionada. Cerca de 40 minutos depois, a Força Tática e a Tropa de Choque avançaram, mais uma vez, contra os manifestantes. Os sindicalistas voltaram com seu carro de som para dentro do prédio do Sindicato. Do lado de fora, a polícia isolava toda a rua.

Os apelos também não surtiram efeito nos moradores locais. Nos prédios ao lado, diversos torcedores, com vuvuzelas e bandeiras do Brasil, aplaudiam quando a polícia passava, aos gritos de “viva o Choque”.

Um comandante da Polícia Militar disse então aos sindicalistas que, se a rua não fosse desocupada em 20 minutos, ela seria “limpa”. O ato acabou com o pedido do Sindicato para que os militantes fossem embora. “A luta é organizada, não há correlação de forças para isso, a PM está equipada,” dizia um sindicalista no auto-falante.

Antes de ir embora eles faziam um apelo: “Atenção, Polícia Militar: as pessoas estão saindo pacificamente. O ato foi dispersado por motivos de força maior. Acabou.”

O apelo não deu resultado e, até a dispersão total dos manifestantes às 13 horas, policiais militares dispararam mais bombas de gás lacrimogêneo sobre os militantes que iam até a estação de metrô.