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PM usou 938 bombas e 506 balas de borracha em dia de maior repressão

por Piero Locatelli — publicado 17/12/2013 11h45, última modificação 14/04/2014 11h31
Polícia Militar de SP não divulgou detalhes do uso do armamento e números de detidos em outros dias dos protestos contra o aumento da passagem de trem e metrô
Piero Locatelli/CartaCapital

A Polícia Militar de São Paulo utilizou 506 balas de borracha e 938 “unidades de munição química” durante o protesto do dia 13 de junho contra o aumento da passagem de trem e metrô na cidade. A polícia informou que naquele dia, o de maior repressão durante as manifestações, “cerca de 200 pessoas” foram detidas e levadas ao 78º DP, nos Jardins, e outras 34 ao 1º DP, no centro da cidade. Segundo a polícia “cerca de” 900 oficiais participaram da operação no protesto organizado pelo Movimento Passe Livre.

“Foram apreendidas máscaras contra gases, coquetéis 'molotov', rojões, litros de álcool, cachimbos de crack, balaclavas, facas, latas de spray, machadinha, martelos e canivetes”, diz a PM na resposta, que contém diversos trechos escritos apenas em letras maiúsculas, uma aparente tentativa de enfatizar a mensagem. Os boletins de ocorrência do dia mostram que também foram apreendidos potes de vinagre e até uma bandeira de partido político carregada por uma manifestante.

As informações foram divulgadas pela PM em resposta ao requerimento de acesso à informação feito por Pablo Ortellado, professor de política públicas da USP. A Polícia Militar não respondeu todos os questionamentos do sociólogo (leia a íntegra do pedido e da resposta).

Polícia omite uso de bombas em outros dias

Em sua resposta, a Polícia Militar omitiu o uso de bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral em outros dias. No dia 7 de junho, a PM desocupou uma pista da marginal Pinheiros utilizando bombas. Ao sair da via, manifestantes encontraram a tropa de choque, que disparou bombas do lado oposto (leia reportagem sobre este protesto). Na resposta, a polícia nega que isso tenha acontecido. “Segundo o sr CMT do policiamento de choque não foi necessário sua tropa utilizar munição química [no dia 7 de junho]”.

A PM também não admite o uso de bombas no dia 17 de junho. Naquela segunda-feira, policiais dispararam para dispersar manifestantes que abriram o portão do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. “No dia 17 de junho, ocorreu mais uma manifestação, sendo empregado pelo policiamento de choque 383 profissionais de segurança pública, 41 viaturas, não sendo empregadas munições químicas nem elastômero, nem maiores consequências”, diz a resposta da Polícia Militar.

Maioria das perguntas seguem sem respostas

A PM não revelou o número de policiais e manifestantes feridos, pedidos por Ortellado. A resposta da instituição também ignora o uso de spray de pimenta. A tipificação dos crimes é feita de forma genérica (“danos”, “depredações”) e somente em três dos seis dias. (Veja tabela, elaborada por Ortellado, mostrando o que não foi respondido). Dos seis dias de protestos, a polícia estimou o número de manifestantes somente em três deles. Para a PM, os manifestantes chegaram, no máximo, a cinco mil pessoas. Estimativas da imprensa ultrapassaram os cem mil manifestantes.

Inicialmente, a PM não havia cumprido o prazo determinado pela lei de acesso à informação. Posteriormente, não cumpriu o prazo estabelecido pela Corregedoria Geral da Administração. No pedido, respondido em primeira pessoa mas não assinado, o policial justifica a demora para a resposta, alegando a troca do comandante do Sistema de Informações ao Cidadão da PM, e também uma doença que ele teria enfrentado. “Somou-se a tal circunstância enfermidade da qual fui acometido, gerando involuntário prejuízo na transmissão da resposta, até então.”

No pedido, a polícia diz que buscava garantir aos cidadãos “o direito de manifestação pacífica e protegê-los da ação violenta e criminosa de vândalos infiltrados”. A resposta ao pedido termina com um “FORTE ABRAÇO”

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