Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / PM usou bombas vencidas contra manifestantes em SP

Sociedade

Perigo à saúde

PM usou bombas vencidas contra manifestantes em SP

por Ricardo Rossetto — publicado 14/06/2013 19h01, última modificação 15/06/2013 07h24
Manifestante obteve uma cápsula que não explodiu com prazo de validade para dezembro de 2010. PM diz que não há risco. Fabricante defende o uso
Anderson Leite
Gás lacrimogêneo

Fabricada pela Condor, bomba de gás lacrimogêneo vencida em dezembro de 2010 foi utilizada pela Tropa de Choque para conter manifestantes

Durante os protestos desta quinta-feira 13 contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, a Tropa de Choque da Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo com prazo de validade vencido para conter os manifestantes.

Uma dessas cápsulas foi obtida por Anderson Leite, analista de sistemas de 27 anos, que participava do ato. Anderson conta que estava próximo ao vão-livre do Masp, na Avenida Paulista, por volta das 22h, quando um PM do Choque saiu da formação e jogou duas bombas para dispersas pequenos grupos que se formavam.

“Uma delas não explodiu e eu consegui guardar pra ver o que era que eles estavam jogando na gente”, conta. Anderson só percebeu que a bomba estava vencida desde dezembro de 2010 na manhã desta sexta-feira 14. “Fiquei indignado. Se eles usam bombas vencidas, será que fazem o mesmo com outros procedimentos? Depois nós é que somos os vândalos?”.

Anderson disse que inalou muita fumaça durante o protesto e muitas vezes não conseguia abrir o olho. “Eu fui pra fotografar tudo, mas eu estava despreparado. Fiquei com dor no pulmão, tive acesso de tosse e fiquei enjoado. Quem me ajudou foram umas pessoas, que me deram vinagre e lavaram meu olho jogando água”, conta.

No artefato recolhido por ele, lote SL-L fabricado em dezembro de 2007 pela empresa Condor Tecnologias Não-Letais, está o aviso: “atenção: oferece perigo se utilizado após o prazo de validade”.

Em nota oficial, a PM afirmou que o vencimento da munição traria o único risco de ela não funcionar.

“Não existe nenhum perigo à saúde das pessoas. O prazo de validade não altera o princípio ativo da munição. O “perigo” seria apenas para o agente de segurança, pois o tempo para o início da queima poderá ser abreviado. A Polícia Militar obedece normas técnicas para o uso de munição”

Contatada pela reportagem a fabricante Condor reafirmou que esse tipo de produto não oferece risco à saúde da população, quando usado de forma correta. Mas a empresa defendeu o uso do material "face à gravidade dos distúrbios que precisavam ser enfrentados."

"Não temos conhecimento das razões que levaram a PM de São Paulo  a utilizar produtos após a data da sua validade, mas acreditamos que uma eventual exceção seria aceitável devido ao tempo exíguo para a aquisição de novos materiais e a grande quantidade de produtos que seriam necessários", afirmou a Condor, em nota.

Colaborou Julia Bezerra

registrado em: