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Jovens católicos estão abertos a mudanças na Igreja, mostra pesquisa

por Redação — publicado 22/07/2013 14h55, última modificação 22/07/2013 15h31
Temas como a permissão da pílula do dia seguinte e união civil de homossexuais têm índices de apoio grandes entre a juventude católica
Fernando Frazão/ABr
JMJ

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Os jovens católicos brasileiros formam um grupo propenso a apoiar mudanças estruturais no corpo da Igreja. A conclusão é de uma pesquisa do instituto Ibope Inteligência encomendada pelo grupo Católicas pelo Direito de Decidir e divulgada nesta segunda-feira 22.

Os números mostram que alterações polêmicas nos ditames da Igreja Católica teriam respaldo dos fieis. A aceitação da união entre pessoas do mesmo sexo pela Igreja é defendida totalmente ou em parte por 56% dos jovens (grupo entre 16 e 29 anos), contra 43% daqueles acima de 30 anos. Se a instituição permitisse o uso de pílula do dia seguinte, receberia o apoio de 82% dos católicos jovens, enquanto no grupo de católicos mais velhos o apoio seria de 75%.

Segundo os números da pesquisa, amplas maiorias da juventude católica brasileira apoiam outras mudanças importantes. Entre os entrevistados, 72% dos jovens católicos aprovam o fim do celibato para os padres e 62% acreditam que deveria ser permitida a ordenação de mulheres. No grupo acima dos 30 anos, esses números são, respectivamente, de 67% e 56%, diferença próxima da margem de erro da pesquisa, de dois pontos para mais ou para menos. Com relação às mulheres celebrando missas, a diferença fica dentro da margem: 46% dos mais jovens apoiam a mudança e 41% dos mais velhos.

A pesquisa também mostrou que, quanto maior a escolaridade, maior a aceitação de mudanças em temas polêmicos, tanto no grupo dos mais jovens quanto no grupo dos mais velhos. Os entrevistados com ensino superior completo, em comparação com os grupos com ensino fundamental ou ensino médio, aprovam em índices superiores a união entre pessoas do mesmo sexo; o fim das condenações a profissionais que atuam em casos de aborto permitido em lei; e a celebração de missas por mulheres.

A coleta de dados foi realizada entre maio e junho de 2013 e ouviu 4.004 brasileiros, sendo que destes 62% se declararam católicos, 23% evangélicos e 15% adeptos de outras religiões, agnósticos ou ateus. 31% do total (1.224) tem entre 16 a 30 anos de idade; os demais (2.780) idade superior a 31 anos.

O único ponto em que a porcentagem de aceitação dos evangélicos supera a dos católicos é no que se refere ao apoio à constituição de família dos padres e sacerdotes. No grupo dos mais jovens: 64% dos evangélicos acreditam que sacerdotes devem poder se casar, enquanto a porcentagem da parcela dos jovens católicos é de 58%. No grupo dos mais velhos, a tendência se repete: 62% dos evangélicos acreditam que sacerdotes devem poder se casar, contra 54% dos católicos.