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Pela primeira vez, um Pulitzer para uma reportagem digital

por Redação Carta Capital — publicado 19/04/2011 17h52, última modificação 19/04/2011 17h52
Maior prêmio do jornalismo dos EUA reconhece uma matéria publicada 100% na web. Jornalistas da ProPublica, agência de jornalismo investigativo, abordaram negociações escusas de especuladores de Wall Street

Maior prêmio do jornalismo dos EUA reconhece uma matéria publicada 100% na web. Jornalistas da ProPublica, agência de jornalismo investigativo, abordaram negociações escusas de especuladores de Wall Street

Pela primeira vez na história do Pulitzer, premiação máxima do jornalismo norte-americano, conferido pela Universidade de Columbia, foi reconhecido um conteúdo publicado exclusivamente na internet. A agência de jornalismo investigativo ProPublica ganhou seu segundo Pulitzer com a série de reportagens The Wall Street Money Machine (A máquina de fazer dinheiro de Wall Street, em tradução livre), de autoria dos jornalistas Jesse Eisinger e Jake Bernstein. Os jornalistas investigaram negócios escusos de especuladores de Wall Street pouco antes da crise econômica. A agência venceu na categoria reportagem nacional. A premiação ocorreu nesta segunda-feira 18.

No ano passado, a ProPublica ganhou um Pulitzer com uma reportagem sobre casos de eutanásia em um hospital de Nova Orleans após o furacão Katrina. Na ocasião, o conteúdo foi publicado em parceria com a revista dominical do The New York Times.

Leia a reportagem The Wall Street Money Machine

Leia a reportagem The Deadly Choices at Memorial

Agência independente
A ProPublica é uma agência de jornalismo independente criada em 2008. O casal Marion e Herb Sandler, após venderem o World Savings Bank ao Wachovia, usaram parte da transação bilionária para financiar, por meio da Fundação Sendler, organizações de direitos humanos e centros de estudo. Com um aporte inicial de 30 milhões de dólares, fundaram a ProPublica, sob o comando do ex-diretor de redação do Wall Street Journal.

A redação é composta por 32 pessoas que se dedicam exclusivamente a longas – e caras – reportagens investigativas. Em reportagem sobre a ProPublica no ano passado, a revista Piauí revelou que para a conclusão das 13 mil palavras reportagem sobre os médicos de Nova Orleans, foram necessários 350 mil dólares.

Já a reportagem vencedora neste ano teve a parceria do programa de rádio semanal This American Life, da National Public Radio (NPR). A parceria foi fundamental para que o assunto, tratado numa linguagem complexa dos setores de economia nos textos da ProPublica, fosse abordado de forma mais didática nas transmissões radiofônicas.

Prêmio
O Pulitzer reconhece 21 categorias, sendo 14 voltadas a produções jornalísticas. Na categoria reportagem investigativa, venceu a jornalista Paige St. John, do Sarasota Herald-Tribune, que abordou as falhas no sistema de seguros de propriedades na Flórida. Frank Main, Mark Konkol e John J. Kim, repórteres do Chicago Sun-Times, venceram a categoria Reportagem Local com uma matéria sobre a violência em bairros de Chicago. O The New York Times recebeu dois prêmios, em Cobertura Internacional e Comentário. Apesar de contar com quatro finalistas, a categoria Furo Jornalístico não teve um vencedor, fato inédito nos 95 anos de existência do Pulitzer.

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