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Sistema é doente, diz Vannuchi sobre Comissão Interamericana de Direitos Humanos

por Marsílea Gombata publicado 21/10/2013 04h57
Segundo ex-ministro, que assume como membro do organismo em 1º de janeiro, seu papel será de médico
Marcello Casal Jr/ ABr
vannuchi cidh

Vannuchi condenou dinheiro dado pela SIP para a comissão

A poucos meses de assumir um assento na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro Paulo Vannuchi acredita que terá o papel de consertar incoerências do organismo. “Eu considero o sistema doente, e o meu papel lá será de médico”, explicou sobre o posto que assume em 1º de janeiro de 2014.

“A CIDH abriu recentemente um procedimento contra a Cristina Kirchner sobre liberdade de imprensa. E eu mesmo disse: ‘Na hora em que o mundo está discutindo espionagem do governo Obama, vocês não falam nada?’”, criticou ao lembrar que enquanto a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) investe 1 milhão de dólares na relatoria sobre liberdade de imprensa, a de criança e adolescente tem cerca de 50 mil dólares para o ano inteiro. “Não pode ter uma liberdade de imprensa com o dinheiro da SIP que propôs as ditaduras, defendeu as ditaduras enquanto pôde, e hoje posa de sociedade interamericana de imprensa.”

Para Vannuchi, se a CIDH continuar seguindo o que chamou de “agenda Obama”, as chances de a comissão se tornar um organismo rachado são grandes. “Se continuarem nessa linha, Argentina e Brasil se irritam de novo, pegam Venezuela e podem puxar Paraguai e Uruguai para fazer outro sistema, e aí acabou o sistema interamericano. Eles querem isso?”, afirmou. “Por que os americanos não se subordinam? Existe todo um financiamento americano, mas os EUA deixam claro que não acatam as decisões. É muito contraditório.”

Ele reconhece, no entanto, que precisará ter paciência para combater o "caráter ideológico" que ronda a comissão. “Meu primeiro papel será chegar lá e ter a maior calma possível para dizer: ‘Companheiros não dá para ser assim’. Não podemos fazer um relatório anual dizendo que há três países que violam direitos humanos: Cuba, Honduras e Venezuela. Isso porque, provavelmente, a Venezuela não viola os direitos humanos mais do que o Brasil”, observou. “Quais são os indicadores que vocês têm? Vocês não gostam do Chávez. Não pode ir para cima de Venezuela sem falar de Guantánamo. Não pode.”

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