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Outro lado

Outro lado: Mariana Oliva, Renata Terra e Jair Candor

por Mariana Oliva, Renata Terra e Jair Candor — publicado 20/11/2015 23h15, última modificação 22/11/2015 08h43
Resposta de Mariana Oliva, Renata Terra e Jair Candor à reportagem "Guerra e Omissão na Amazônia"

Em relação a reportagem Guerra e Omissão na Amazônia, publicada pela revista CartaCapital em 19/11/2015, pelo jornalista Felipe Milanez, queremos esclarecer que  não fomos ouvidos e gostaríamos de dizer que: 

desde que tomamos contato com a história do povo Piripikura temos trabalhado para viabilizar o documentário Terra Rasgada e contar a história de violência e fragilidade deste povo, em especial de seus últimos sobreviventes e o excelente trabalho realizado pelo sertanista Jair Candor, responsável pela Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena.

Depois de pesquisas preliminares, a equipe do filme entrou com um pedido de ingresso em terra indígena junto à Funai, em outubro de 2014. A viagem foi feita apenas no final deste ano, um ano após o pedido, pois para conseguir a autorização de ingresso também dependíamos da definição do cronograma de trabalho da frente, ao qual a equipe de filmagem, de 4 pessoas está submetida. 
Em nenhum momento, a produção do filme solicitou uma expedição exclusiva para a realização das filmagens. E sim a possibilidade de acompanhar e documentar uma expedição de busca de vestígios a ser realizada pela frente. Por entender as dificuldades intrínsecas dos trabalhos da Funai e a situação extrema e delicada em que vivem os povos indígenas isolados, tal proposta nunca nos pareceu possível ou pertinente.

Por essa razão, a primeira alegação da matéria, de que funcionários da Funai teriam sido deslocados para dar apoio à equipe de filmagem, não é verídica. Uma vez que a equipe do documentário estava apenas acompanhando um trabalho de rotina realizado pela frente que atua na região de forma constante.

Vale ressaltar que o filme não pretende, nem depende, do encontro com os dois índios isolados que vivem na Terra Indigena para se concretizar. A proposta, desde o início, é contar a história do massacre deste povo com a índia Rita – uma das três últimas sobreviventes do povo Piripikura e através do trabalho árduo e incansável da frente.

A Frente Madeirinha é responsável pela proteção de dois povos na área, os Piripikura e os Kawahiva do Rio Pardo, em uma área que localiza-se no noroeste do Mato Grosso, fronteira com o estado de Rondônia, muito distante da região do Vale do Javari, objeto da matéria. A região é conhecida como arco do desmatamento onde as invasões de terras e as extrações ilegais de madeira são constantes.

O sr. Jair afirma não ter recebido qualquer solicitação para deslocar para a região do Vale do Javari, como afirma o jornalista. E não faz  sentido esta especulação já que o sr. Jair trabalha com uma equipe reduzida e a ausência de profissionais na área onde atua poderia piorar a situação de risco em que esses povos já se encontram.

Durante as pesquisas para o documentário fomos informados que o jornalista Felipe Milanez, que assina esta matéria, teria a intenção de fazer um documentário sobre a índia Rita Piripikura. Portanto, concluímos que ele entende a relevância da divulgação desta história. Apesar de informações incorretas da matéria publicada, de especulações infundadas, compartilhamos a preocupação do jornalista pelo povo Piripikura. 

Para finalizar, queremos dizer que Carlos Travassos tem um profundo compromisso de vida com a defesa dos povos indígenas, em especial dos povos isolados, e suas atitudes foram marcadas pelo profissionalismo, dedicação e responsabilidade pública com tudo que se refere a este início de trabalho de documentação, desta trágica história que precisa ser conhecida pela sociedade brasileira. A divulgação desta história é mais um instrumento de proteção e defesa destes últimos sobreviventes do povo Piripikura.

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Resposta de Felipe Milanez:

A reportagem nada mais faz do que relatar um conflito que ceifou vidas humanas e que não recebeu a devida atenção da Funai. Sertanistas experientes foram deslocados para apoiar a produção do documentário em vez de atuarem na mediação do confronto entre as etnias. Especificamente sobre o caso citado, Carlos Travassos foi procurado para falar sobre equipes especializadas que não foram enviadas para conter a crise e recusou-se a se pronunciar oficialmente. A reportagem em nenhum momento aborda "compromissos de vida" de Travassos. Somente problemas na sua gestão , inclusive aqueles denunciados por uma carta assinada por oito sertanistas.