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ONG pede que Fifa respeite direitos humanos de trabalhadores

por Redação — publicado 16/07/2013 16h10
Organização chama atenção para a responsabilidade da entidade com as violações trabalhistas na prepação de mundiais
Zé Carlos Barretta / Flickr / Creative Commons
Itaquerão

Construção do estádio do Itaquerão, em São Paulo, palco da abertura da Copa de 2014

A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) pediu nesta terça-feira 16, em uma carta aberta, que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, garanta o respeito dos direitos humanos de trabalhadores envolvidos na preparação para as Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar. Segundo a organização, grande parte dos contratados para a execução das obras destes eventos é de imigrantes, logo, mais vulnerável à exploração.

A FIDH reforçou a responsabilidade da Fifa em investigar e solucionar denúncias de trabalhadores expostos a práticas injustas de pagamento, jornada de trabalho excessiva, violência racial e condições de emprego análogas ao trabalho forçado.

Segundo a entidade de direitos humanos, a Fifa deve mostrar preocupação com os trabalhadores responsáveis pela construção da infraestrutura do mundial da Rússia, cuja a maioria é composta por imigrantes da Ásia Central e do Cáucaso, que estão sujeitos a múltiplos abusos trabalhistas. Em particular, diz a ONG, os trabalhadores frequentemente sofrem com jornadas de trabalho abusivas e práticas injustas de pagamento.

Alguns empregadores também retêm os documentos de identidade dos trabalhadores e não fornecem contratos de trabalho.  “Os imigrantes na Rússia são particularmente vulneráveis, pois enfrentam discriminação sistemática, violência xenofóbica e até escravidão por dívida, quando são forçados a trabalhar para pagar os custos da viagem”, diz a carta. “A eles também é negado, com frequência, o direito de livre associação em sindicatos.”

A FIDH ainda alertou a Fifa sobre o mundial do Catar, país onde cerca de 19% da força de trabalho é de imigrantes, a maior parte deles do Sul e do Leste asiático. Cerca de 1 milhão de pessoas deve ser recrutada para a preparação dos jogos. “Condições de trabalho para imigrantes, incluindo projetos associados à Copa do Mundo, são tão pobres que às vezes equivalem ao trabalho forçado. Essas práticas incluem servidão por dívida, confisco de passaportes, campos de trabalho lotados e sem condições sanitárias adequadas, falta de contratos de trabalho e deduções salariais arbitrárias.” Há ainda um elevado risco de mortes durante as construções das instalações, pois no verão as temperaturas no país podem passar de 50º C.

A carta também cita as manifestações no Brasil contra os elevados gastos para a realização do mundial de 2014. Para a FIDH, a Fifa deve ouvir os protestos que denunciaram os custos da Copa, “enquanto a infraestrutura básica do país e os serviços eram abissalmente negligenciados”. “A Fifa deve considerar esses protestos como um importante lembrete de que o sucesso dos jogos depende do respeito mais amplo aos valores sociais.”