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O poder da maioria

por Soraya Aggege — publicado 27/04/2011 16h40, última modificação 29/04/2011 12h30
Em 2014, a classe C vai concentrar 57% do eleitorado. Quem tem mais chances de conquistá-la?

Em 2014, a classe C vai concentrar 57% do eleitorado. Quem tem mais chances de conquistá-la?

Vanessa Antonio, a garota da capa, é o novo alvo típico das pretensões eleitorais dos partidos hegemônicos no cenário político: PT e PSDB. E também de grande parte das empresas. Aos 20 anos, ela integra a porção jovem dos 31 milhões de brasileiros recém-instalados no meio da pirâmide social, com renda familiar mensal entre 1,5 mil e 5 mil reais. Vanessa e outros milhões de jovens das periferias começam a desempenhar o papel de principais formadores de opinião da chamada “nova classe média”. Os efeitos desse fenômeno ainda não foram totalmente medidos, mas os especialistas não têm dúvida: as mudanças na pirâmide social, com a consolidação da hegemonia da classe C, já começaram a alterar velhas tendências, do consumo e das eleições. A estimativa é de que, em 2014, esse estrato represente 57% do eleitorado obrigatório (de 18 a 69 anos), ou 71 milhões de votos. Desse total, 44% terão entre 18 e 34 anos e níveis de escolaridade e renda em rápida ascensão, o que aumentará a sua interlocução e influência nas comunidades.

Não foi à toa que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva travaram nos últimos dias uma guerra verbal acerca da conquista desse eleitorado. O PT e o PSDB têm gastado tempo e dinheiro em pesquisas, análises e projetos que os ajudem a entender melhor o que quer essa multidão emergente que acorda cedo para trabalhar, lota as faculdades à noite, come macarronada com
frango aos domingos ao som de Ivete Sangalo e ainda reserva uma parcela da renda para o dízimo, principalmente aquele cobrado por igrejas neopentecostais.

Como todo o novo estrato da classe C, Vanessa imprime e avalia a realidade de outros ângulos, sem imitar a tradicional classe média, e é muito mais pragmática. “Vamos fazer um voto de classe, nada ideológico. Lula nos ajudou a chegar aqui, mas temos de continuar a escalada para ficar mesmo na média. O PT tem grandes propostas e fez a nossa diferença, por isso a Dilma (Rousseff ) foi eleita. Agora, o
PSDB é complicado, é mais elitista, mas também tem boas propostas e há também outras opções. Então, vamos escolher os candidatos que poderão fazer mais pela classe C, pela periferia, por nós”, avisa a estudante de Administração da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 644, já nas bancas.

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