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O futuro de Strauss-Khan

por Gianni Carta publicado 07/07/2011 17h33, última modificação 25/10/2011 11h48
Ex-chefe do FMI era o favorito para a corrida presidencial francesa, mas seu apego pelo luxo e o escândalo em Nova York tornam situação delicada
O futuro de Strauss-Khan

Ex-chefe do FMI era o favorito para a corrida presidencial francesa, mas seu apego pelo luxo e o escândalo em Nova York tornam situação delicada. Por Gianni Carta. Foto: Andrew Gombert/AFP

Dominique Strauss-Khan celebrou seu primeiro dia de liberdade provisória, obtida no 1º de julho, a saborear um prato de massa com trufas negras e vinho tinto italiano, num restaurante chique de Manhattan.

Mais uma vez, o ex-patrão do FMI, que ganhou fama mundial ao ser preso debaixo de acusações de estupro de uma camareira de um hotel novaiorquino, foi inábil no quesito simbolismos.

Claro, não se trata de comparar o suposto estupro – agora, segundo investigadores, talvez um caso de prostituição mal resolvido – com trufas negras.

O problema das trufas é diretamente relacionado à imagem de DSK com seu possível retorno ao tablado político, e, apostam alguns, à corrida para a presidencial francesa de 2012. De fato, Laurent Joffrin, editorialista do semanário Le Nouvel Observateur, foi o primeiro a delinear a transição de DSK de gauche caviar a gauche truffe.

Cérebro da ala social democrata liberal do Partido Socialista, DSK, de 62 anos, era o favorito para a presidencial até o escândalo em Nova York.

Ele é admirado pelas suas qualidades intelectuais, mas seu apego pelo luxo é condenado pelas esquerdas. E até pela velha direita tradicional, que desaprova a opulência e ostentação até do conservador Nicolas Sarkozy.

A questão-mor, porém, é esta: discutia DSK, enquanto comia massa e trufas, a possibilidade de se candidatar para a presidencial? Ao que tudo indica, o ex-ministro das Finanças poderá estar em solo francês já no final de julho. Isso porque a prioridade já não é mais investigar se houve ou não estupro, em Nova York. O foco passou a ser a credibilidade da camareira.

Segundo investigadores, Nafissatou Diallo teria mentido sobre seu passado e escondido detalhes em relação ao encontro com DSK. Mais: ela teria elos com criminosos. Nada disso, claro, invalida a tese de que houve agressão sexual. Mas assim funciona o incrível sistema jurídico americano.

Tendo em vista a data do retorno de DSK, François Hollande, ex-secretário-geral do PS e favorito nas sondagens das primárias socialistas, sugeriu a deposição das candidaturas para além de 13 de julho.

O voto para as primárias socialistas seria realizado nas datas previstas, 9 e 16 de outubro. Hollande, claro, está sendo hábil. Sua rival, Martine Aubry, atual secretária-geral do PS, assinou um pacto de "não concorrência" com DSK, sob a tutela de Laurent Fabius, ex-premier socialista.

No entanto, Aubry viu-se forçada a se candidatar para as primárias socialistas quando viu o amigo atrás das grades. Mas e se DSK se candidatar? Hollande aproveita-se dessa incerteza, e da imagem de candidata ‘’substituta’’ de DSK. Sarkozy, por sua vez, prefere uma esquerda dividida, e de preferência sem a presença de DSK.

O ex-ministro teria outros obstáculos. Benoit Hamon, da ala esquerda do PS, é uma das vozes contra o adiamento da deposição de candidaturas.

A escritora Tristane Banon arquivou uma acusação contra DSK. Segundo Banon, ele a teria agredido sexualmente em 2003. Sondagens serão a única forma de avaliar seu potencial.

De acordo com uma primeira enquete realizada pelo Instituto BVA, 54% dos franceses não quer vê-lo como candidato nas primárias socialistas. Isso mesmo se DSK for inocentado nos EUA. A imagem do ex-ídolo não é das melhores, mas na política tudo é possível.

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