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Diálogos Capitais

"Combate às drogas é ineficaz"

por Redação Carta Capital — publicado 04/08/2011 21h45, última modificação 04/08/2011 21h53
É o que diz o psiquiatra Dartiu Xavier, que participa nesta sexta-feira 5 do seminário Educadores Contra o Crack

“O Brasil copia dos EUA o modelo Diga Não às Drogas, comprovado pelos americanos como ineficaz".

A afirmação acima é do psiquiatra e diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo, Dartiu Xavier, que participa na sexta-feira 5 do seminário Educadores Contra o Crack, organizado pela revista Carta na Escola. O evento abre a série Diálogos Capitais de 2011 e acontece das 9h às 13h, com transmissão via internet, ao vivo, pelo site de CartaCapital.

Para Xavier, as políticas de repressão adotadas no País não são eficientes. “Os modelos de redução de danos adotados na Europa são uma alternativa mais adequada para a realidade brasileira, mas isso implicaria em começar a ver a droga como um sintoma e não a causa dos problemas, algo que nem todos estão dispostos a encarar”.

Seguindo a lógica da adoção de medidas redutoras de danos, Xavier destaca um estudo preliminar do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp de 1999.

Na pesquisa, coordenada pelo psiquiatra Eliseu Labigalini Júnior, 50 usuários de crack utilizaram a maconha para auxiliá-los a abandonar a outra droga. Após nove meses, 68% dos dependentes deixaram de utilizar ambas as substâncias. “Segundo os pacientes, a maconha ajudava a diminuir a vontade de usar o crack, uma droga muito mais nociva".

Xavier ainda afirma que é preciso discutir os impactos do crack na sociedade e na população brasileira, criando também um debate mais amplo sobre outras drogas. “O crack é uma substância bastante agressiva, mas em termos de saúde pública, quando discutimos dependência acabamos falando do tema como um todo", diz.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil existem cerca de 600 mil usuários de crack, droga, que de acordo com o psiquiatra, tem uma taxa de dependência estimada de 18%, mais que o dobro da maconha (7%).

Confira a programação completa do evento Educadores Contra o Crack abaixo:

9h – Panorama do consumo e do usuário de crack

Palestrantes: Paulina Duarte, secretária-adjunta da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad)

Tema: Apresentação do primeiro mapa nacional de drogas, com enfoque inédito sobre o consumo de crack no País. A pesquisa, feita por Senad, Fiocruz e Universidade de Princeton (EUA), traz amostra inédita de 25 mil usuários. A radiografia indicará, também, o tamanho da invasão do óxi no Brasil. A sondagem identificou cracolândias itinerantes, que reaparecem em outras áreas logo depois de serem desmobilizadas pela polícia.

10h – Crack, efeitos e tratamento

Palestrante: Dartiu Xavier, psiquiatra e diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad), da Universidade Federal de São Paulo, um dos principais centros de referência em tratamento e prevenção às drogas.

Tema: Os efeitos da droga, os riscos de dependência e as possibilidades de tratamento. A relação dos adolescentes e jovens com entorpecentes e como podem ser desenvolvidos programas de prevenção ao uso da droga na escola.

10h45 – Guerra contra as drogas – políticas publicas de prevenção e repressão

Palestrante: Luiz Ratton, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas de Segurança da UFPE e assessor especial do governo de Pernambuco para Planejamento Estratégico de Ações de Segurança.

Tema: A dinâmica do mercado de tráfico (onde a droga é produzida, como chega ao Brasil e como é distribuída), a violência gerada pelo tráfico, questões de saúde e segurança pública envolvidas, ações de repressão qualificada e de prevenção.

11h30 – O óxi e outras drogas

Palestrante: Dr. Thiago M. Fidalgo – psiquiatria, coordenador do setor de adultos da Proad/Unifesp, chefe de plantão do PS de Psiquiatria do HSP/Unifesp, Research Fellow – Harvard University

Tema: O que já se sabe sobre esta nova droga? Como o crack age no corpo, um comparativo de sua composição diante de outros entorpecentes como a maconha e a cocaína. Como se comportam os adolescentes em relação às drogas e ao sexo.

12h15 – Debate aberto ao público

Data: 5 de agosto de 2011 (sexta-feira)

Horário: 9h às 13h

Local: Faculdade Anhembi Morumbi

Endereço: Rua Casa do Ator, 275 – Santo Amaro