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No rastro das armas

por Bruno Huberman — publicado 16/03/2011 09h00, última modificação 16/03/2011 13h34
O deputado Marcelo Freixo (Psol), diz que a CPI das Armas terá como objetivo principal entender o pesado tráfico de armas ilegal no Rio, que diferencia o Estado fluminense dos outros em termos de segurança pública. Por Bruno Huberman
No rastro das armas

O deputado Marcelo Freixo (na foto, ao centro), diz que a CPI das Armas terá como objetivo principal entender o pesado tráfico de armas ilegal no Rio, que diferencia o Estado fluminense dos outros em termos de segurança pública. Por Bruno Huberman. Foto: Rafael Wallace/Alerj

A CPI das Armas, aberta na segunda-feira 15 na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) será presidida pelo deputado Marcelo Freixo (Psol). Ele é o responsável pela polêmica CPI das Milícias e chega agora ao ponto mais sensível da violência urbana da cidade: o armamento do tráfico de drogas. “O Rio não é a cidade mais violenta do Brasil, mas o que o diferencia das outras é o seu caráter bélico”, afirma Marcelo Freixo. “A CPI fará uma investigação política, que poderá resultar em uma investigação policial, de todos os procedimentos em torno de todo armamento, seja ele legal ou ilegal, do Rio de Janeiro.”

Os deputados cariocas pretendem entender todo o processo de obtenção de armas ilegais, quem lucra com o tráfico, quem abastasse, como são transportadas, quem produz e assim mapear todo o ciclo das armas no Rio de Janeiro, uma vez que a CPI se restringe aos limites do Estado fluminense. O ponto de partida são as armas legais. “O nosso primeiro passo foi pedir uma listagem de todas as armas das polícias civil e militar, bombeiros, Forças Armadas. Nós vamos entender como funciona todo o comércio legal porque nenhuma arma é feita ilegalmente, depois é que ela entra para o mercado clandestino”, diz o deputado.

Sobre as armas ilegais, a investigação parlamentar pretende exigir o rastreamento das armas apreendidas pela polícia, principalmente aquelas obtidas nas operações no Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro no final de 2010, para quem sabe chegar a origem do tráfico.

Todos os envolvidos na Operação Guilhotina, da Polícia Federal, que em fevereiro prendeu pessoas envolvidas em corrupção dentro da polícia do Rio, serão convocados para depor na CPI, entre eles o ex-subchefe da Polícia Civil, Carlos Oliveira, que responde por formação de quadrilha, apropriação de bens por serviço público e o comércio de armas de fogo.

Para a próxima sessão da CPI, marcada para a segunda-feira 21 na Alerj, está programada a presença do sociólogo Antonio Rangel Bandeira, coordenador do Projeto de Controle de Armas da ONG Viva Rio, para apresentar um estudo sobre o tráfico de armas no Brasil. “Nós pretendemos que a CPI das armas tenha a mesma repercussão e sucesso da CPI das Milícias, mas ainda não sabemos onde chegaremos com ela”, completa Freixo, que está na Comissão ao lado Wagner Montes (PDT), o relator, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), Zaqueu Teixeira (PT) e Flavio Bolsonaro (PP).

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