Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / No Dia da Consciência Negra, a história de Zumbi é cantada

Sociedade

Teatro

No Dia da Consciência Negra, a história de Zumbi é cantada

por Paloma Rodrigues — publicado 20/11/2013 05h58
"Zumbi", uma adaptação do clássico "Arena conta Zumbi", traz a história do líder negro em músicas de Edu Lobo
Liana Rabelo
Zumbi

Nove atores se revezam na interpretação de todos os personagens do musical

No Dia da Consciência Negra, celebrado neste dia 20 de novembro, a história da morte de Zumbi dos Palmares ganha os palcos no musical Zumbi, uma adaptação do diretor João das Neves do clássico Arena conta Zumbi, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Sem protagonistas definidos, o espetáculo surge com todos os atores se revezando em diferentes personagens, e investe na força política da história do líder negro e nas músicas de Edu Lobo para marcar o público.

Originalmente montado para ser interpretado pelo Teatro de Arena, um dos mais importantes grupos teatrais brasileiros, Zumbi nasceu como o primeiro musical genuinamente brasileiro. Augusto Boal, autor da peça, era uma figura central dentro do Teatro Arena e, ao lado de outros grandes nomes, foi um dos entusiastas da criação de "clássicos nacionais", em contrapartida às recorrentes adaptações de clássicos estrangeiros.

Na nova adaptação, que fica em cartaz até o dia 15 de dezembro, apenas atores negros estão no elenco. “Nós queríamos envolver nessa história seus verdadeiros nomes. Portanto, os negros”, afirmou o diretor a CartaCapital.

Cecília Boal, viúva do dramaturgo e fundadora do Instituto Augusto Boal, demonstrou satisfação com a formação da peça. “Hoje a minha proposta é a realização de um sonho: ver Zumbi representado por um elenco de atores negros. Tenho a pretensão de crer que Boal e Zumbi estariam de acordo”, declarou.

O sistema que não fixa em um único personagem o protagonismo do enredo foi uma das marcas da literatura de Boal, o modelo do "Coringa": os atores são como cartas no baralho, que se revezam em diferentes papeis, conforme o jogo da cena pede. Sistema esse que parece ter uma função ainda maior dentro do contexto da peça, ao se encaixar perfeitamente com a temática do Quilombo dos Palmares. “É como se todas aquelas pessoas que participaram, em quaisquer graus de hierarquia dentro do quilombo, pudessem ser as responsáveis pelo sucesso”, diz João das Neves. “O sucesso é de cada um, não depende de um chefe. Isso tem muito a ver com a história que estamos contando.”

O diretor acredita que a obra surgiu para responder aos anseios de uma população, oprimida pelo regime da ditadura. Ela retorna, no momento atual, também para dialogar com o povo. “Agora, com as manifestações de rua, parecem ter tudo a ver com a ânsia de liberdade, com a ânsia de informação e justiça. A peça também foi escrita em um momento como esse”, diz ele.

“Essa obra é politicamente forte na medida em que ela é uma afirmação da nossa identidade nacional, do povo brasileiro e das suas formas de resistência”, afirma ele. “É uma obra de arte que transcende uma data específica e por isso não precisamos fazer grandes adaptações ao texto, apenas alguns cortes, porque ela se projeta para o futuro e isso, em si, é de um significado político muito forte”, completa o diretor.

Serviço
Data: de 20 de novembro a 15 de dezembro, de quinta à domingo
Horário: 19h15
Local: Caixa Cultural Sé - Praça da Sé, 111, 8º andar, São Paulo
Entrada gratuita